Uma declaração desorientadora
A declaração que o governador Jaime Lerner acaba de fazer, de que a situação econômica do governo do Paraná é invejável e privilegiada, deixa os cidadãos intrigados. Não porque desejassem o contrário, mas porque o discurso mudou repentinamente. Suas afirmações são de que o Paraná pagou todas as suas contas, o salário do funcionalismo público está em dia e o ajuste fiscal foi realizado. Mais: que a posição econômica é invejável e que basta observar o crescimento dos investimentos sociais. E arremata: Isso tudo sem vender a Copel, o que deixa os nossos adversários completamente desorientados.
O governador não é específico e não se sabe onde fala do governo e do Paraná-cidadão, que este sim cresceu e desfruta de uma situação econômica segura. Mas ao afirmar que o Paraná pagou todas as suas contas, deve referir-se ao governo. Conclui-se então que havia dinheiro também para uma melhoria salarial dos servidores, em greve há mais de 100 dias e que há 6 anos não têm reajuste. Supõe-se que também foram recuperadas as ações da Copel caucionadas junto ao Banco Itaú e que o governo encerrou o ano sem dívidas. Como o próprio governador enfatizou, tudo isso sem vender a Copel. Cabe perguntar por que houve tanta obsessão em vendê-la.
Os números que o chefe do governo cita em seu discurso são muito positivos, pois ele afirma que as finanças do Paraná passaram por média, em 2001, que a meta do superávit era de R$ 478 milhões mas alcançou R$ 667 milhões, que no crescimento real a expectativa era de 5,5% mas o Estado atingiu 14,5%. Se, como diz, o Paraná foi o que mais cresceu em industrialização e o que mais gerou empregos, acredita-se, mas isso não é mérito do governo e ocorre por interesse dos investidores, embora não se despreze os incentivos fiscais oficiais, que em certos casos foram pródigos.
É bom ouvir do governador que a situação econômica do Estado é invejável, e se assim é, espera-se que o governo se antecipe a abril data que anteriormente estabeleceu e faça já agora o reajuste dos servidores e ponha fim à paralisação que atinge as Universidades estaduais de Londrina, Maringá e Cascavel. Também a Paraná Previdência que era o pêndulo definidor do saneamento dos cofres públicos e justificativa primeira para vender a Copel deve ter deixado de constituir problema. Como não houve interessados na compra da empresa, a um passe de mágica tudo mudou e chega a notícia oficial de que o governo começa o ano em situação privilegiada.
Tem razão o governador: os adversários devem ter ficado desorientados com esta sua nova revelação. A população paranaense, no geral, também fica, pois sem vender a Copel e nem ter chovido dinheiro no arraial do Palácio Iguaçu, de repente todas as contas são pagas (embora ainda não se tenha visto os recibos) e a situação dos cofres públicos torna-se invejável. Uma virada surpreendente. Só falta agora o governo explicar como isso foi possível.





