''Navegar é preciso'', diziam os portugueses, desbravadores de um mundo real nos séculos XV e XVI. ''Navegar é preciso'', repetiriam, em pleno século XX, os exploradores do mundo virtual. Assim, a Internet está no ar, literalmente, há 10 anos, influenciando e modificando o jeito de fazer história, comunicar, administrar negócios, comercializar produtos e serviços.
Concebida em 1969, nos Estados Unidos, para interligar laboratórios de pesquisa e, mais tarde, universidades norte-americanas e de outros países, a Internet popularizou-se a partir de 1992, com o desenvolvimento de programas de computador conhecidos como ''navegadores'' e com a ousadia de modernos pioneiros, que tão logo souberam da descoberta, trataram de demarcar um espaço no novo mundo, tornando-se seus primeiros provedores de acesso e fornecedores de informações.
A maior contribuição da Internet ao mundo real tem sido, justamente, a democratização da informação, possibilitando o acesso de qualquer cidadão ao conhecimento que, até então, era privilégio de poucos. Não é de se estranhar, portanto, que essa rede de redes hoje, no mundo, são mais de 40 mil redes interligadas , que ''conversam'' entre si por meio de uma ''língua'' comum, o protocolo TCP/IP (Transmission Control Protocol/Internet Protocol), fascine mais de 550 milhões de pessoas do planeta.O
E o maior uso que se faz de tão avançada tecnologia é o da correspondência eletrônica o e-mail é o recurso da rede mais procurado por cerca de 94% do total de usuários , estimulando um novo tipo de sociabilidade, que supera preconceitos raciais e distâncias geográficas e culturais à velocidade de um impulso telefônico.
No aspecto econômico, o novo mundo oferece possibilidades extraordinárias, abrindo-se tanto para aproveitamento nos processos internos das empresas, com aumento da eficiência administrativa e redução de custos operacionais, quanto para um novo tipo de relacionamento com os clientes e entre os próprios parceiros de negócios na ampla e complexa cadeia produtiva. No ano passado, operações ''business to business'' (entre parceiros de negócios), realizadas em mercados virtuais ou por intermédio de ''portais web'' (onde se concentram os intermediários), representaram 80% de todas as transações feitas na rede.
Por conta desse mercado paralelo, em que vicejam empresas ''pontocom'', com direito a ações na Bolsa de Valores e a pregão específico (Nasdaq), velhos conceitos estão sendo revistos. Há uma ''nova economia'' em formação e o capitalismo pode estar mudando.
Por um lado, especialistas acreditam que as transações comerciais via Internet não vão aumentar as riquezas do mundo. Pelo contrário, tenderiam a reduzi-la, pela altíssima concentração dos negócios e o inter-relacionamento cada vez mais abrangente das empresas. Por outro, daria chance a mais gente de participar do comércio global, sendo possível a um artesão do Nordeste brasileiro vender seus produtos para chineses, por exemplo, desde que um e outros conseguissem se encontrar em algum mercado do mundo virtual.
O varejo online, porém, já está melhor definido e conta com uma poderosa estrutura na rede. De acordo com estudos do Boston Consulting Group, estima-se que o comércio virtual responderá, até o fim de 2002, por um volume de US$ 580 milhões, significando um aumento da ordem de 432% em relação aos US$ 109 milhões obtidos em 1999.
As alternativas oferecidas pela Internet são inúmeras e crescem geometricamente, à medida que a tecnologia avança. Contudo, para colocá-las em prática, visando a conquista do novo mundo, será preciso muito mais do que a coragem demonstrada pelos antigos navegadores. Será preciso inventividade.

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