Uma cruzada do povo contra a corrupção
Notícia só agora divulgada é a de que, um mês após tomar posse, o deputado federal Paulo Maluf apresentou projeto visando alterar leis que tratam de ações civis públicas e de improbidade administrativa. Seu objetivo é criar uma forma legal de condenar o autor de ação que caracterize ''crime de perseguição política''. Porque ele se considera perseguido. Além de legislar em causa própria, percebe-se claramente como os homens públicos não só não cessam de robustecer o noticiário das denúncias contra eles, como buscam incessantemente mecanismos de autoproteção e de contra-ataque. A mira do velho político, envolto em tantas acusações de corrupção e que esteve inclusive preso, é o Ministério Público de São Paulo.
Agora, durante a visita do Papa, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil divulgou documento em que proclama a existência de ''uma crise ética'' no Congresso Nacional e manifesta preocupação também com as acusações contra elevadas esferas da Justiça. Ao falar-se do círculo dos Poderes, um dos ingredientes fortes é a presença de exemplos de corrupção, somadas à ausência de um melhor desempenho das funções. Porque, no caso dos Parlamentos, grandes reformas não acontecem, projetos não andam e o gasto público exacerbado corre solto. Corrupção passou a ser um evento comum da vida pública brasileira. Novidade seria a notícia de um corte das mordomias e uma semana sem manchetes de escândalos na administração pública, desde as pequenas prefeituras até escalões elevados.
Já é ocioso ler-se e ouvir-se pelos veículos de comunicação os protestos e indignações dos cidadãos contra tanta vergonha e desfaçatez, mas essas manifestações serão de pouco efeito se não forem seguidas de ações. Porque políticos, governantes, magistrados sobre os quais recaiam provas de desmandos, são delinquentes. E é assim que devem ser tratados. Mesmo os tidos como sérios mas que aceitam salários e ajudas de custo exorbitantes, são igualmente desonestos, e esta é também uma forma de corrupção. Contra o ladrão comum, o povo já o coloca na condição de fora-da-lei e o conceitua como tal, e é a partir dessa constatação que propõe soluções, que são as punições da lei. Com os homens públicos corrompidos não deve ser diferente e eles precisam, da mesma forma, ser qualificados como marginais. Não será apenas com palavras que se irá transformá-los, e sim com ações. Que são muitas e estão em poder dos cidadãos. Que só precisam articular-se.
Considerá-los delinquentes é um primeiro passo, não com o sentido de agressão social mas simplesmente como constatação de uma realidade. Isto posto, se deverá tomar atitudes. Não reelegê-los é uma delas, embora se tenha visto que Paulo Maluf acabou, depois de tudo, sendo o deputado federal mais votado. Mensaleiros foram reeleitos. Isto não invalida que os cidadãos realizem uma vigorosa cruzada contra os maus políticos. Será preciso execrá-los publicamente e fazer-lhes cobranças quando eles descerem às bases. O caminho é o da ação, pela mobilização popular, de forma que detone esse império de banditismo institucionalizado.





