Uma cruzada contra o vício do tabaco
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária trava uma luta para demonstrar aos fumantes os malefícios do tabaco, mas o volume de vendas permaneceu inalterada, através dos anos, significando que, se houve desistentes, novos fumantes se acrescentaram à lista dos viciados. Parece que não bastam as advertências, inclusive da área médica, e a alarmante estatística revelando quantas pessoas contraem doenças do sistema respiratório em função do fumo, e quantas são tangidas por câncer pulmonar e chegam à morte. Converte-se assim em séria questão de saúde pública esse vício, que não apenas prejudica um grande contingente de pessoas mas causa elevado custo social à nação, pelos gastos com tratamento e hospitalização daí decorrentes. Se já há proibições relacionadas com o cigarro, como a de não fumar em determinados locais e a contenção da propaganda outrora exaltadora dos fumantes será difícil um ato de proibição definitiva, porque antes seria preciso fechar as fábricas. Uma lei antibagista tão rigorosa iria esbarrar na proclamada vantagem dos empregos que a indústria proporciona e, sobretudo, no alto volume de impostos que o governo recolhe por conta desse pernicioso mal social que é a comercialização do cigarro. Não há uma contabilidade precisa sobre quanto entra de receita e quanto é gasto de dinheiro público com o atendimento dos pacientes graves contaminados pelas substâncias tóxicas do tabaco, mas não há dúvida de que o prato menos lucrativo da balança é o da arrecadação tributária. A contra-ofensiva das embalagens vai dizer, doravante, que são 4.700 essas substâncias, causadoras de dependência física e psíquica, e que não existem níveis seguros de proteção contra elas a não ser o abandono do vício. O cigarro e as drogas proibidas se equivalem em capacidade de dano à saúde, mas se para estas há combate, para aquele há tolerância, em função justamente da rendosa coleta de impostos, cuja alíquota é elevada e, mesmo encarecendo altamente o produto, não afasta o fumante. Se o risco à saúde não amedronta o viciado, não será o custo que fará os dependentes abandonarem o hábito. Deverá ser persistente a Saúde Pública paradoxalmente integrando o governo arrecadador da renda do vício assim como a comunidade médica, no sentido de conter, pela persistente advertência, a proliferação desse mal por via da conscientização dos fumantes e evitar que novos viciados se somem aos já existentes. Uma nação sadia se constrói por suficiente alimentação e pela contenção de males nocivos ao corpo humano. A cruzada contra o vício do cigarro é de responsabilidade de todos, inclusive dos que fumam, porque eles têm até a obrigação de mostrar aos não-fumantes, pela própria experiência, o quanto o cigarro causa mal.





