Uma corrente para a paz
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2003
Walmor Macarini 
Uma corrente mundial de pensamento contra uma nova guerra poderá resultar na formação de uma vigorosa barreira que detenha a eclosão desse conflito. Porque é essa mesma força da mente coletiva, embora inconsciente, que faz irromperem os confrontos bélicos e outras tantas manifestações.
O clima dominante na maioria das pessoas que habita este planeta é de competição, e nessa batalha tem valido tudo. Há uma declarada guerra em todos os campos de atividade e nas relações interpessoais, e nesse cenário não tem havido concessões. A vibração negativa que vai se somatizando nesses bolsões não tarda em chegar ao ponto de combustão e resulta num ''big bang'' que ocorre geralmente nos pontos já propensos, portanto vulneráveis.
Nações já amantes de guerras, desvairadas e obcecadas por seus interesses e ambições, catalisam essas correntes, já fortes em seu próprio meio, e a erupção torna-se inevitável. O paradoxo é que cada pessoa, individualmente, manifesta-se contra as guerras, mas não freia a guerra que existe dentro dela mesma, até porque não tem consciência disso.
A própria rebeldia da natureza, em forma de tempestades, nevascas, tremores, deslizamentos de terras, são consequências irresistíveis da poderosa força que se plasma a partir dos conflitos nas mentes humanas e que acabam explodindo em alguma parte, no mais das vezes onde as condições e o próprio ambiente já estão fragilizados. O raio costuma cair mais frequentemente onde há pára-raios.
Só por isso não cessa a responsabilidade dos propiciadores e deflagradores das desgraças terrenas, mas sozinhos eles não podem agir. Irresponsáveis e algozes em que se transformam, eles também são vítimas, e ao final resulta a humanidade inteira agente do processo ressalvadas as muitas exceções e ao mesmo tempo sofredora das consequências. Um redemoinho que se forma e se agiganta e leva todos de roldão. As sequelas são de difícil reparação, para não falar do monumental karma adquirido.
Mas se as pessoas agem inconscientemente no fortalecimento dessa onda negativa, podem conscientemente dirigir sua poderosa força para mentalizações de paz, e o resultado poderá ser surpreendente, pela entrada em ação do idêntico poder.
Se cada ser humano criar visualizações de líderes mundiais guerreiros abandonando propósitos de confronto, de homens depondo armas e recusando-se a matar-se e mutilar-se uns aos outros, de sentimentos de paz predominando sobre iras e ódios, isto terá o poder de operar milagres. Um minuto diário com tais visualizações de paz, nada custa. É soada a hora para essa grande tarefa.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina


