Uma conquista do consumidor
José Simão Filho
Em 1998, deverá ter grande impulso no Brasil a implantação da ECR (Efficient Consumer Response/Resposta Eficiente ao Consumidor), que pode ser trazida como uma parceria entre indústrias, atacadistas, distribuidores e supermercados. Trata-se de um amplo acordo, ancorado por uma série de procedimentos técnicos e operacionais, voltado à eliminação de desperdícios, agilização de processos e redução de custos, com reflexos efetivos para o consumidor, tanto em termos de preços, quanto na qualidade dos produtos.
Sucesso absoluto nos Estados Unidos, onde propiciou, nos últimos quatro anos, economia de aproximadamente US$ 30 bilhões em toda a cadeia de suprimentos, essa nova prática está sendo introduzida no País de forma organizada e profissional, por meio da Associação ECR Brasil, fundada no início de 1977.
No âmbito da entidade, integrada por representantes de 44 empresas industriais, supermercadistas, comerciais e atacadistas, já se realizam projetos-piloto, para nortear de maneira científica a implantação da ECR em larga escala. Diante das novas exigências do mercado, da economia globalizada e da crescente valorização da cidadania, que pressupõe novas posturas nas relações com os consumidores, não há mais lugar para amadorismo.
Indiscutivelmente, a ECR causará enorme impacto entre fornecedores industriais e empresas varejistas. Não se trata, absolutamente, de qualquer fórmula mágica, mas de um conceito de logística apoiado na informação. A ECR implica a leitura óptica do código de barras nos caixas e também no recebimento de mercadorias, na retaguarda da loja.
Desse modo, permite que os varejistas saibam o que, como e quanto colocar nas prateleiras. Pressupõe, também, a utilização do EDI (Intercâmbio Eletrônico de Dados), para baixar significativamente o tempo entre a decisão de se obter um produto e sua chegada nas gôndolas, com menores custos administrativos e menor ocorrência de erros.
Além disso, a prática da ECR exige que as entregas sejam rigorosamente programadas, agilizando-se a descarga e o manuseio das mercadorias. Outro conceito importante é o de gestão de categorias de produtos, em colaboração com fornecedores. Cada tipo de produto deve ser agrupado e selecionado em função de sua rentabilidade e complementaridade. Trata-se, portanto, de uma nova conduta de toda a cadeia de suprimentos, que proporciona sistemas ágeis e flexíveis de gestão de preços.
No Brasil, já foi iniciado estudo para avaliar o potencial de economia existente na cadeia de distribuição. Se o percentual de redução de custos for similar ao de outros países, onde estudo semelhante já foi realizado, é possível prever uma economia entre R$ 2,5 bilhões e R$ 5 bilhões.
O consumidor será, portanto, o beneficiário primário da ECR, que diminuirá significativamente a diferença de preços entre os formatos tradicionais dos supermercados e os ‘‘varejos de massa’’ e clubes atacadistas. Os estoques de cadeia de distribuição diminuirão, ao mesmo tempo em que os produtos serão movimentados mais rapidamente.
A implantação da ECR no Brasil, paralelamente aos ganhos efetivos que propiciará, marca uma nova fase no relacionamento entre indústrias, distribuidores, atacadistas e varejistas. A tradicional postura do mercado marcada pelo conceito de ‘‘ganhar/perder’’ está sendo rapidamente substituída pela cooperação, de forma a que todos sejam vencedores, inclusive e principalmente o consumidor.
- JOSÉ SIMÃO FILHO é presidente do Grupo Varejo do Comitê Executivo da Associação ECR Brasil e diretor de logística e relações institucionais do Grupo Pão de Açúcar

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