O código de barras tem sido equivocadamente responsabilizado, em algumas oportunidades, pelos erros, cada vez mais frequentes, que ocorrem na precificação dos produtos expostos nas gôndolas dos supermercados. Na verdade, o problema não é pertinente à tecnologia do código de barras, que tem como único objetivo a identificação dos produtos. O registro no caixa de um preço indicado na prateleira, que causa justa reclamação por parte do consumidor, é gerado por uma falha operacional na atualização dos valores ou na troca da etiqueta de gôndola. É importante salientar que essas falhas também podem acontecer em favor do consumidor.
Para evitar esse tipo de problema, os supermercados devem, como já vêm fazendo, somar à tecnologia da automação um rígido controle de qualidade com relação às bases de dados dos preços. Esse procedimento inclui a figura do auditor interno, que irá garantir a qualidade do sistema.
Certamente, esse tema geraria menos equívocos se fosse realizado um esforço de memória, remontando ao passado, ainda recente, em que os preços eram colocados manualmente, produto a produto, com as famosas máquinas de precificação. Um trabalho arcaico, moroso e muito mais sujeito a erros. Além disso, o sistema antigo suscitava grande lentidão no registro das compras nos caixas dos supermercados, com a formação de longas filas, que irritavam o consumidor.
Nos últimos 20 anos, o código de barras, sem qualquer exagero, foi a maior contribuição da tecnologia a favor da eficiência, da produtividade e, em consequência, da logística. Trata-se de condição sine qua non para a automação comercial, o controle de estoques e o gerenciamento eficaz de qualquer negócio. É, também, ferramenta imprescindível para o EDI (Intercâmbio Eletrônico de Dados) financeiro e mercantil.
Outro aspecto importante a ser considerado: hoje, o mais moderno conceito para a eliminação de desperdícios e a ECR (Efficent Consumer Response/Resposta Eficiente ao Consumidor), uma ação efetiva em atendimento aos anseios e expectativas da sociedade brasileira com relação à cadeia de suprimentos, melhor atendimento e menor preço. O consumidor moderno quer pagar menos por produtos de qualidade cada vez melhor e perder ou pouco ou nenhum tempo na fila do caixa. Além disso, não admite erros nos preços. Todos esses fatores, com eventuais e naturais falhas humanas, a ser corrigidas com treinamento e formação adequada de mão-de-obra, são contemplados pela utilização do código de barras.
O código de barras vem impresso no produto pela própria fábrica. O preço é colocado na prateleira dos supermercados em caracteres dez vezes maiores que as antigas etiquetas coladas nas embalagens. O código é decifrado pelo leitor ótico sem qualquer possibilidade de erro. Além disso, o cupom fiscal tem impressa a quantidade de unidades compradas, a especificação do produto e o preço. É fundamental lembrar que no sistema antigo somente aparecia o preço, o que tornava muito difícil identificar o produto. O sistema atual permite ao comprador guardar o cupom e compará-lo com outros, para controle interno dos gastos ou para o acompanhamento do aumento ou diminuição dos preços, mês a mês. Isso ajuda o consumidor a identificar a loja que melhores preços oferece.
Inegavelmente, o código de barras é bom para o consumidor, a indústria e o comércio. Da mesma forma, contribui e facilita o controle de fiscalização dos impostos a ser pagos, por parte dos organismos governamentais. É muito importante que toda a sociedade conheça e entenda melhor o sistema, para se evitar que eventuais erros de interpretação submetam o País ao risco de um lamentável retrocesso.
- ROBERTO DEMETERCO é vice-presidente da Abras (Associação Brasileira dos Supermercados)

mockup