Se houvesse mais espírito de cooperação para enfrentar a crise, gigantes empresas e bancos não demitiriam. Porque são organizações altamente lucrativas, porém pouco dispostas a sacrifícios e voltadas demais para a meta do lucro. Ao menor aceno de baixa de ganhos, não buscam eventuais correções em sua própria estrutura mas tangem o ponto onde existe dor, que são as pessoas. Como primeira medida as demitem, mais parecendo uma sinistra vingança, não se sabe contra quem. Porque gente demitida sofre, manifesta-se, provoca repercussão.
  Bancos especialmente têm suporte suficiente para manter o pessoal, mas diante de qualquer recessão aumentam ainda mais os problemas afastando empregados e deixando-os sem renda. E o presidente Lula conclama as pessoas a que não parem de comprar para não agravarem a crise.
  O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, declara que ‘‘o Brasil deve ser diferente contra a crise’’, mas os bancos (que são instituições de sua área) fariam diferente se não mexessem no pessoal, não aumentassem juros e não dificultassem o crédito. Mas o fazem, exatamente como muitos de seus congêneres fizeram. Isso os faz iguais. O diferente, para o poderoso monetarista governamental – sobre o qual, ao que se diz, o presidente Lula não tem voz de mando – é manter o juro básico em 13,75% quando o mundo inteiro está baixando as taxas. Este é o ponto de reação da classe industrial paranaense que, via Federação das Indústrias do Estado do Paraná, reclama soluções mais radicais, começando pela queda dos juros. Se a crise é de confiança, esta precisa ser restabelecida para ‘‘reacender o ânimo dos empresários’’, enfatiza a entidade. Mas também a classe empresarial tem culpa, porque com freqüência toma a imediata atitude de
demitir.
  O presidente da República conclama as empresas a não demitirem, e este é um grande passo para cooperar no enfrentamento da crise. Se elas necessitam de socorro em muitas circunstâncias – e nem sempre são atendidas, embora sustentadoras do emprego, da economia e da produção de tributos – não devem gerar crises individuais representadas pelos empregados demitidos. Porque para estes, a crise será total. Momentos de travessias perigosas devem ser também de solidariedade e não do salve-se quem puder. Até porque não existe situação de desespero.

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