Uma cidade saudável aos 60 anos
A companhia colonizadora inglesa planejou também as cidades quando adquiriu, do Governo do Estado e de particulares, os históricos 515 mil alqueires de terras, em princípio com a idéia de cultivar algodão (para abastecer as indústrias têxteis da Inglaterra) mas depois optou pela venda de lotes. Foi um dos mais avançados sistemas de formação agrária e urbana já implantados no mundo. Ocorreram outras aquisições, com a decisão de que quatro cidades maiores permeariam a colonização numa distância planejada de 100 quilômetros entre elas. Assim surgiram, pela ordem, Londrina, Maringá, Cianorte e Umuarama. As cidades intermediárias despontariam como natural consequência.
Londrina cresceu com um planejamento apenas central - um quadrilátero de ruas nos exatos sentidos norte-sul e leste-oeste. O mais foi crescendo de forma espontânea. Já Maringá foi inteiramente desenhada na prancheta, com arruamentos de avenidas duplas, algumas circulares, fácil circulação e estacionamento de veículos e muita arborização. O resultado final foi uma cidade de avançada beleza urbanística. O exemplo de Londrina, que de certa forma foi uma cidade-laboratório e recebia gente ''como formigas'', no dizer dos historiadores, alertou os urbanistas para algo mais funcional na segunda cidade do quarteto planejado - Maringá, que ontem comemorou seus 60 anos.
Uma diretriz inusitada de Maringá é que o poder público veio evitando o surgimento desordenado de novos bairros, porque havia (e ainda há) espaços vazios no núcleo urbano já instalado. Ainda agora novos loteamentos precisam atender a mais rigorosa infra-estrutura de asfaltamento, água, esgoto, urbanização. (Verdade que Londrina, por via da conhecida Lei 133 do prefeito Milton Menezes - que a copiara da administração de Prestes Maia na capital paulista - também implantou essas exigências, mas naturalmente não se contava com um povoamento que se intensificaria quase desordenadamente).
Maringá, especialmente de 1980 em diante, acenou com grande crescimento, e os administradores públicos não permitiram uma expansão fora dos padrões. A urbanização continuou seguindo o conceito original, com avenidas arborizadas e outras infra-estruturas pertinentes. O que ocorre é que hoje não existem ocupações clandestinas na cidade. Dessa forma, houve uma valorização dos terrenos e contruções, até por ficarem mais concentrados, e isso favoreceu também os serviços públicos.
Conforme informações divulgadas ontem pela FOLHA, em Maringá dizem que ''os índices de violência brutal continuam baixos'', mas os atentados contra o patrimônio alheio existem, como de resto em todo o País. Maringá é uma cidade-jardim e muito agradável de se visitar e nela morar. O bosque central, preservado e bem cuidado, atrai os moradores da cidade - que são hoje 288 mil - e os visitantes. Entre as marcas fortes de Maringá está a densa arborização, que enche de verde a metrópole e torna muito saudável a vida.





