Estudo feito pelo NuPEA (Núcleo de Pesquisas Econômicas Aplicadas) da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) apontou para um cenário preocupante: 91,4% das famílias londrinenses estão com renda comprometida por dívidas neste segundo trimestre de 2026, dando conta que o problema do alto endividamento no país alcançou dimensão dramática na segunda maior cidade do Paraná. Podemos dizer que o problema deixou de ser individual para se tornar coletivo.

O nível ficou mais de dez pontos percentuais acima da média nacional, de 80,9%, medida pela CNC (Confederação Nacional do Comércio, Bens, Serviços e Turismo), e coloca o município em situação de vulnerabilidade financeira.

Os pesquisadores lembram que além de desencadear problemas psicológicos e sociais, o nível de comprometimento de renda afeta diretamente a economia, com impacto nas instituições de crédito, nas vendas do varejo e, de forma indireta, na oferta de postos de trabalho.

Entre os 91,4% de famílias com rendimentos comprometidos, 36,2% têm alguma conta em atraso e um fator preocupante é que entre esses, 57,1% declararam que não conseguirão pagar suas dívidas e 29,4% pagarão apenas parcialmente. Apenas 13,4% afirmaram ter condições de quitar os débitos. O levantamento de dados foi feito entre os dias 6 e 14 de maio de 2026, com 361 pessoas, em todas as regiões da cidade, incluindo a zona rural. A margem de erro é de 5%.

O cartão de crédito continua sendo o grande vilão. A maioria dos londrinenses endividados tem pendências com essa modalidade de pagamento, que respondem por 53,8%. São consideradas dívidas no cartão de crédito somente os parcelamentos. Compras pagas à vista no cartão são consideradas dívidas apenas quando a fatura não é paga no vencimento.

Em segundo lugar, mas bem abaixo, está a prestação da casa (13,1%), seguida pelo financiamento do carro (4,9%).

Entre as famílias com rendimento abaixo de dez salários mínimos, 80,8% consideraram-se muito endividadas, 15,8% mais ou menos endividadas e apenas 0,9%, pouco endividadas.

Nas famílias com renda acima dos dez salários mínimos, o índice de muito endividados cai quase pela metade (41,7%), enquanto 58,3% afirmaram estar mais ou menos endividados.

Na pesquisa do NuPEA, um dado chama bastante a atenção. No tópico “Tipo de dívida da família londrinense”, 25% dos entrevistados incluíram suas contas em atraso no grupo denominado “outras dívidas”, que abrange as bets. Embora a pesquisa não traga dados específicos sobre as apostas on-line, o coordenador do NuPEA, Marcos Rambalducci, disse ter ficado evidente o impacto dos jogos no comprometimento da renda das famílias londrinenses.

Voltando ao peso do cartão de crédito no orçamento da população, é preciso destacar que ele deveria estar funcionando como instrumento de organização financeira e facilidade de pagamento, e não como um complemento da renda de muitas famílias.

Em meio ao aumento do custo de vida, à pressão da inflação sobre itens essenciais e à dificuldade de ampliar os ganhos mensais, milhares de consumidores recorrem ao parcelamento não para adquirir bens supérfluos, mas para conseguir manter despesas básicas em dia. O problema se agrava quando os juros elevados transformam pequenas dívidas em compromissos quase impagáveis.

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