Não só o eleitorado está apático ante a campanha eleitoral mas também os partidos e os candidatos. Para o povo, quanto menos estardalhaço melhor, porque é cansativo suportar a pregação política, por todas as suas formas. Parece que nem os postulantes aos cargos eletivos estão entusiasmados. E faltam apenas 37 dias para a decisão, uma das mais importantes porque sufragrá presidente da República, governadores, senadores e deputados federais e estaduais. A presença de movimentados comitês inexiste, e gente que busca emprego temporário entre os candidatos encontra o aviso de que não há vagas. A indústria da eleição, sempre pródiga e movimentadora de capital porque lida com vários segmentos de produção e serviços está acanhada e não favoreceu tanto os que esperam levantar dinheiro extra produzindo e ostentanto baners e cartazes, criando jingles, distribuindo santinhos, alugando salas para comitês, instalando palanques e sistemas de som e assessorando candidatos. Há uma aparente apatia também de parte dos candidatos, parecendo que eles estão pouco convictos. A legislação eleitoral veio impondo restrições ao longo do tempo, de forma a evitar abusos especialmente a compra de votos e se tais expedientes ainda ocorrem nos rincões deste país, o processo eleitoral foi ficando mais enxuto, paradoxalmente em tempo de tanta corrupção. Foram-se os tempos dos grandes showmícios, que serviam ao menos como diversão popular, pela presença de artistas consagrados e que atraíam multidões. Não eram manifestações de cidadania mas agitavam as campanhas. A predominância é dos palanques eletrônicos, que não oneram os candidatos e ainda os beneficiam pela ausência do contato com o povo. Deste, os políticos só querem o voto e não mendicâncias, comuns numa nação de tanta gente carente. Não há entusiasmo popular e poucos cabos eleitorais. As pesquisas ocupam-se, principalmente, das preferências para a eleição do presidente da República e, nos Estados, para a de governador, e pela amostragem do que se ouve nas ruas as pessoas ainda não elaboraram a lista completa dos cinco nomes que precisam assinalar na urna. O desencanto gera esse estado de indiferença e de apatia de parte do eleitorado. Se esta serenidade deixa mais limpa a atmosfera e beneficia os ouvidos da população, tão cansada de ver e ouvir políticos e suas mentiras e desmandos, o processo político perde. Porque a campanha eleitoral deveria ser um momento de grande grande envolvimento popular e de exaltação das cidadania.

mockup