Afinal, um estudo de contas da administração municipal, em Londrina, ora feito pela Câmara, lança luzes sobre a questão da greve dos servidores, que completa hoje exatos dois meses. A conclusão é que, para concretizar a melhoria salarial pleiteada, seria necessário aumentar a arrecadação, cortar benefícios ou demitir gente. Porque não haveria outra possibilidade de conceder aumento face a dois fatores: o econômico e os limites da Lei de Responsabilidade Fiscal. O sindicato da categoria argumenta com outras alternativas, mas de qualquer modo começou-se a caminhada para um desfecho, que já está tardando. Também o Ministério Público movimenta-se na intermediação de um acordo e tem contactado com os diretores do sindicato, com o prefeito e os vereadores. Os representantes do MP não desejam discutir o mérito da greve e sim alternativas para que a população ''não tenha tantos problemas de atendimento'', como declara o promotor Cláudio Esteves. Uma conclusão do estudo da Câmara é que a concessão de gratificações, abonos e promoções de grupos localizados de servidores geraram desequilíbrio nas contas do município, elevando em 12,35% os gastos com o pagamento do pessoal no corrente ano, enquanto o aumento da receita foi de apenas 6,47%. Informações que tanto se reclamava e que poderiam ter sido apresentadas desde o início da paralisação, já se conhece. Agora será preciso partir para a fase seguinte do impasse, que é encontrar as saídas. Sessenta dias de greve já bastam e será preciso voltar os passos para o retorno à atividade, ou - como declarou o promotor de Justiça - ''em caso de resistência ao diálogo, cada promotoria não descartará medidas judiciais''. O prefeito sabe que, agora ou mais tarde, terá de fazer concessões na questão do salário, que segundo os servidores está defasado há cinco anos. Um dos caminhos apontados é a adoção imediata de reajustes administrativos, o que passa pela sangria da redução do quadro funcional ou de cortes em outras despesas, e estes são sempre possíveis sem prejudicar gente e os serviços essenciais. Este é um momento que exige competência gerencial, um atributo que os políticos não possuem por ausência de formação pertinente mas que é requisito fundamental em qualquer empresa e dos que se propõem gerir uma organização complexa como a administração pública. O que não pode haver é aumento de impostos, porque esta seria a fórmula mais cômoda, e é também função de um prefeito zelar pela economia popular. Agora, ao menos, a população já tem conhecimento mais claro dos números, e se no momento não há condição de dar aumento salarial, será preciso enxugar a máquina administrativa, porque mais tarde os servidores terão de ser contemplados de alguma forma. Estes, de sua parte, fariam bem voltando ao trabalho, sem prejuízo de criar-se uma comissão para negociar com o prefeito a reivindicação solicitada.

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