Alguns deles descansaram ontem. Ou seria uma forma de dizer? Na verdade, devem ter aproveitado o 15 de outubro para acertar pendências profissionais ou domésticas. A renovação do cadastro no banco para evitar a suspensão do crédito, por exemplo. Também a correção daquela pilha de provas e trabalhos que o calor do último domingo não permitiu fazer. Com sorte, ainda sobraram alguns minutos para dividir com as crianças. Ontem elas ficaram em casa, porque foi Dia do Professor.
Recentes reportagens publicadas pela Folha de Londrina mostraram a vergonhosa colocação da educação brasileira num ranking mundial, sob o enfoque da valorização do professor. A renda desses profissionais só é maior que as de dois países de um grupo de 40. Se de um lado não se deve vincular a baixa qualidade do ensino no Brasil somente à remuneração dos professores, de outro deve haver consciência sobre os efeitos negativos que a desvalorização provoca no rendimento não só do mestre, mas de qualquer outro profissional.
A economia brasileira é madrasta com o perdão das pessoas nesta condição e castiga o trabalhador brasileiro. E a semana, infelizmente, começou tensa para todas as categorias e também os empresários, com a decisão do governo federal de elevar a taxa básica de 18% a 21%. Gargalham somente os especuladores, estes que nunca têm, ultimamente, motivos para se lamentar.
E o professor recebeu na véspera do seu dia mais este presente do governo. As férias escolares do final de ano serão provavelmente de muito aperto com os reflexos que a medida já causa na economia do País.
Walter Ogama

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