Uma boa campanha da CNBB
Em tempo de tanto desprezo pelos valores da moralidade e da decência no meio político, é bem-vinda a nova campanha anunciada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil visando reunir 1,2 milhão de assinaturas e convertê-las em documento público a ser entregue ao Congresso Nacional, pedindo uma lei que proíba a candidatura de pessoas com antecedente criminal e de quem renunciou ao mandato para escapar de punição legal. O projeto também prevê o aumento do período de inelegibilidade (no caso daquelas incidências) de 3 para 8 anos.
Esta decisão foi tomada na 46 Assembléia Geral da CNBB, que acaba de realizar-se em Indaiatuba (SP), e reforçada na entrevista de ontem a este Jornal dada pelo cardeal primaz do Brasil (em sua visita a Londrina), Geraldo Majella Agnelo. A Igreja Católica junta nesta campanha a Ordem dos Advogados do Brasil e a Associação Brasileira de Organizações Não-Governamentais, e a coleta de assinaturas já começou. É certo que, num país cujos fiéis católicos giram em torno de 150 milhões - conforme número divulgado na recente visita do Papa ao Brasil - a juntada dessas subscrições deverá acontecer rapidamente. Se o corporativismo existe e os congressistas hesitam em aprovar leis que possam tanger a si próprios, o movimento é válido e há esperança de que chegue a bom termo. Porque a pressão da Igreja pode ser decisiva se todas as paróquias forem mobilizadas e a questão seja levada também aos púlpitos. Pode-se afirmar com segurança que, se plenamente ativado, não há hoje no Brasil poder político mais forte do que o povo católico, por que obediente - nas boas causas - ao comando dos superiores eclesiásticos e por constituir a grande maioria da população brasileira.
Desde que o Vaticano decidiu ocupar-se, mais intensamente, não apenas da espiritualidade mas também dos problemas temporais - e os bispos da América Latina são os mais empenhados nisto, até pela situação de corrupção governamental muito presentes nesta região do mundo - os fiéis católicos e não-católicos precisam apoiar essa campanha. O que é preciso é a persistência dessa cruzada, de modo que não fique apenas na intenção e na reunião das assinaturas necessárias, mas que acompanhe o processo de votação no Congresso.





