Uma bem-sucedida prisão de quadrilha
A Polícia mobilizou todos os efetivos possíveis e prendeu rapidamente a quadrilha que tomou Ortigueira de assalto, na última sexta-feira. Em apenas quatro dias o grupo foi descoberto e quase inteiramente preso, e também foi recuperado todo o dinheiro roubado. Alguns ingredientes favoreceram essa megaoperação: valores subtraídos de bancos e policiais rendidos e tomados como reféns, com um deles ferido. É certo que a Polícia também desvenda delitos menores, mas não com a mesma frequência e eficiência de casos como o de agora. O êxito da operação foi comemorado em Londrina, com a vinda inclusive do Secretário de Segurança, Luiz Fernando Delazari.
Tem razão essa autoridade ao afirmar que quando os bandidos são expulsos de uma cidade, passam a agir em outra, e também as pequenas são atingidas, como foi o caso de Ortigueira. O episódio alerta para muitas coisas. Primeiro, a necessidade de reforço policial também nos lugares menores, porque a ousadia da bandidagem supera, às vezes, a capacidade de repressão, num país onde a delinquência assumiu proporções alarmantes. Até pelo exemplo que emana do próprio sistema governamental, onde a corrupção campeia solta e continuamente. ''Não havia possibilidade de ocorrer uma fuga'', declarou o secretário. Isto também demonstra uma certeza da Polícia, conforme a pecualiaridade de cada caso. Com boa motivação, 200 policiais mobilizados e arsenais de terra e ar, o êxito de uma missão tem mais garantia de sucesso, como ocorreu.
Outra constatação, se outras tantas não bastassem, é que para os pequenos o crime não compensa. A ambição por dinheiro, de bandidos de mais baixo escalão (os que não pertecem a megaorganizações), resulta na amargura da prisão e na possibilidade de permanecerem muito tempo no cárcere. O crime certamente tem compensado para figurões dotados de muita blindagem e que disponibilizam de bons defensores. São poucos os casos de delinquentes graúdos e de grandes bandidos que permanecem no cárcere.
Delazari declara que ''o crime organizado não funciona sem a participação de um servidor público ou de um ex-servidor''. No assalto de Ortigueira havia um ex-policial no bando. A razão é que ex-policiais (ou às vezes policiais na ativa) conhecem bem a legião de bandidos, até pela circunstância do ofício, e estão mais sujeitos a serem assediados. Isto remete para a necessidade de uma melhor seleção dos quadros no momento da admissão, uma prática que, se não é uma garantia plena de limpeza ética e moral, pode eliminar na origem os mal-intencionados. Um regime que, infelizmente, ainda não está sendo adotado com os pretendentes aos cargos políticos.





