A jornalista Ruth Bolognese, que atua próxima dos Poderes na Capital e faz ácidas críticas em sua coluna neste Jornal sobre a baixa atuação dos políticos, mostra que os 54 deputados estaduais gastam 3,10% de toda a receita bruta do Paraná. Cada parlamentar consome em torno de R$ 50 mil mensais - com os salários e as verbas de representação - mas não é só isso que vai para o ralo com os gastos da Assembléia Legislativa. Esse elevado porcentual, como ela diz, ''é um bom dinheiro'', porém mais que isso, é muito dinheiro! Não é à toa que os políticos se agarram tanto ao poder e desejam sempre ser reeleitos, porque este é um ganho de marajá em terra de salário mínimo baixíssimo e de tanta gente miserável.
Diz a jornalista que a atual legislatura é certamente a pior de todas, e que é infinita a distância que separa o Paraná real e a capacidade dos representantes do povo na Casa. Há ''uma pobreza de formação, de informação e de ação dos deputados'' no que diz respeito às grandes questões paranaenses. Porque a prevalência é para os próprios ganhos e a proteção dos interesses do governo. Ali - revela a jornalista - vicejam as mesquinharias, as fofocas sem fim, os pequenos favores e o jogo de interesse pessoal. E foram os cidadãos que elegeram esse corpo legislativo, e alguns eleitores ainda se ufanam, em épocas eleitorais, de verem seus candidatos eleitos.
A Assembléia Legislativa do Paraná nunca teve tempos gloriosos, e mesmo quando poderia ter tomado posições, como a de impedir a implantação do modelo de pedágio que aí está, se omitiu, até porque estava alheia ao que o governador Jaime Lerner estava fazendo. Quando o mesmo governante quis vender a Copel, metade mais um dos deputados votaram a favor, sem muito pensar no que isto significava. A venda só não ocorreu por inexistência de comprador interessado. Anteriormente a isso, a Casa foi dominada durante quatro décadas por um único deputado, o astuto Aníbal Khury, que soube manipular com rédeas curtas (sendo presidente da Assembléia ou não) todos os pares, indistintamente. Foi um tempo em que o corpo legislativo tinha uma única opinião prevalecente, e esta era a de um só indivíduo. Sua morte não viria resultar em expressiva independência dos deputados - afora algumas exceções hoje existentes - e nem deixou lições de eles bem exercerem a missão e robustecer o corpo legislativo como um efetivo poder de propor, vetar, revogar, discutir idéias inteligentes, enfim impor-se soberanamente como poder.
A Assembléia foi, historicamente, muito subserviente à vontade que emanava dos governadores, ora em maior ora em menor grau, porém mais voltada a atender e servir à causa do Palácio do que voltar-se para ao exame e discussão das grandes questões da vida pública paranaense. Ainda hoje, por exemplo, passam ao largo dos deputados questões como os transgênicos, porque eles ignoram a extensão do delicado tema; as tarifas abusivas do pedágio, os problemas do Porto de Paranaguá, a segurança pública, as reivindicações da agricultura e da pecuária, a política agrária, a situação de carência da saúde pública e tudo o mais. Também não há um diálogo entre os deputados estaduais e a bancada federal paranaense, parecendo que são corpos estranhos entre si. Os deputados ficam entocados em Curitiba e quando descem às bases não são vistos. Eles estão muito ausentes de tudo e não dignificam, como deviam, a função e o cargo.

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