Uma andorinha só, faz verão - Elza Correia
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 19 de outubro de 1998
Elza Correia 
Estamos às portas do terceiro milênio. Daqui a pouco comemoramos a chegada do ano 2000 que, quando era menina ouvia dizer, seria o fim do mundo, e agora acredito que será o começo. O começo de uma nova era, onde todos nós homens e mulheres, haveremos de refletir sobre os danos que já causamos à natureza, sobre a necessária tarefa de tentarmos corrigir nossos equívocos e garantirmos às gerações futuras um planeta mais saudável, onde o desenvolvimento auto-sustentado seja uma realidade e não apenas tema de palestras ambientalistas, onde a preocupação com o ecossistema e com o meio-ambiente seja socializada e matéria obrigatória nas escolas formais e nas universidades.
O Brasil, sediou, em 1992, uma importante conferência sobre o meio ambiente no Rio de Janeiro, a Eco 92, onde diversos países discutiram exaustivamente as necessárias e urgentes medidas para preservar o planeta, salvar a vida na Terra. De lá para cá, muito pouco foi feito. Nossas matas continuam sendo destruídas, nossos rios estão apodrecendo, nosso ar nunca foi tão poluído e nossos dirigentes continuam virando as costas ao tema e colocando acima da qualidade de vida os interesses econômicos e políticos.
Em Londrina - nossa linda Londrina, até quando? - não está sendo diferente. Nossas praças estão abandonadas e sistematicamente sendo doadas para fins não autorizados por nossa Lei Orgânica. Nossas árvores estão sendo arrancadas e não estão sendo substituídas, nossos rios poluídos, nossos fundos de vale desrespeitados, e quase vimos concretizada a doação do aterro do Lago Igapó-2 para empresa privada, à revelia do desejo da população.
Felizmente, confirmamos na Câmara com nosso voto contrário ao projeto, que vale a pena, mesmo só, estarmos afinados com nossa consciência e firmes no dever com os que nos confiaram seu voto. Vencida no Parlamento, recorremos ao Ministério Público e, através de denúncia encampada pela Dra. Maria Lúcia Reichenbach da Promotoria Especial de Defesa do Meio Ambiente, estava deflagrado um comovente movimento contra a doação do aterro.
Foi como um rastilho de pólvora. Crianças, jovens, adultos, idosos, estudantes, professores, donas de casa, empresários, profissionais liberais, técnicos das mais diversas áreas, jornalistas, todos em uma única voz feito um coro cada vez mais afinado dizendo não ao arbítrio e sim à consciência ecológica e ao exercício da democracia. O movimento venceu.
Fica a certeza de que sempre valerá a pena lutar pelo que acreditamos.
Fica definitivamente estabelecido que uma andorinha só faz verão, sim senhor, desde que acredite que em seu percurso de vôo encontrará outras e mais outras, que juntas haverão de garantir um lindo e inesquecível verão para todos nós!
Fica estabelecido que é preciso cada vez mais a participação popular nos destinos de nossa cidade, nosso Estado e nosso país, que o povo conta e é dele que realmente emana o poder.
Fica principalmente estabelecido que resistir é preciso e que o fel do sofrimento oriundo dos grandes embates, transforma-se em mel quando não desistimos. E com certeza hoje sabemos, é doce, muito doce o sabor da vitória!
- ELZA CORREIA é vereadora (sem partido) em Londrina


