Uma ameaça à saúde
Um grave problema que só cresce no Brasil e está longe de ser solucionado, a obesidade de crianças e adolescentes mostra que a saúde da população está ameaçada. Em 1975, segundo pesquisas, apenas 10,9% e 8,6% das populações feminina e masculina de 5 a 9 anos, respectivamente, apresentavam excesso de peso. Já perto da década de 1990, os índices eram entre 15% e 11,9%. Dados mais recentes, do IBGE, apontam que entre 2008 e 2009, o excesso de peso atingia 34,8% dos meninos e 32% das meninas; e a obesidade, 16,6% e 11,8%, respectivamente. A incidência crescente de doenças típicas de adultos (colesterol alto, diabetes tipo 2 e hipertensão) em crianças é o resultado dramático deste cenário, que tem como principais causas os maus hábitos alimentares e o sedentarismo..
A questão é preocupante em todas as classes sociais. Por um lado, há uma parcela de culpa de parte dos pais, que são permissivos em relação às guloseimas ou que não possuem a informação necessária para criar bons hábitos. Por trás disso tudo, porém, estão as indústrias que abusam da oferta de alimentos ricos em gordura, açúcar e sódio, mas pobres em nutrientes. Reféns destes produtos, os consumidores também não encontram facilmente nos pacotes informações necessárias para selecionar a sua compra. Por fim, aparecem as sedutoras propagandas endereçadas às crianças.
É hora de o governo brasileiro levar a sério a questão, criando mais programas de incentivo à alimentação saudável e à prática de atividade física não só nas escolas. A fiscalização mais rigorosa da publicidade também se faz necessária, já que o próprio Código de Defesa do Consumidor proíbe a propaganda que "se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da criança".
Sabemos que, frequentemente, o conflito de interesses do mercado se sobrepõe à defesa da saúde pública, por isso, é essencial que a sociedade se organize, principalmente, para forçar a criação de leis que protejam as nossas crianças da epidemia da obesidade.





