Uma alternativa contra as drogas
Emília Belinati
Participei nesta semana de um grande evento realizado na Universidade do Professor, o seminário ‘‘Educação para a Cidadania’’. Fui para Faxinal do Céu preocupada em discutir uma questão que vem me angustiando: a presença de drogas nas escolas brasileiras. Cheguei lá consciente das imensas dificuldades que todos, professores, pais, autoridades, encontram para enfrentar o problema. E confiante de que, no encontro com educadores de 25 estados e com especialistas do exterior, brotariam novas idéias para vencermos o desafio da luta contra as drogas.
Entre as várias experiências relatadas no Seminário, uma chamou especialmente minha atenção: a alternativa apresentada pelo professor norte-americano Peter Lucas, que coordena um projeto em Nova York intitulado ‘‘Segurança nas escolas para o século 21’’. O educador comparou o drama que estamos enfrentando hoje, no Brasil, com o que os Estados Unidos viveram, há 10 anos. Foi naquela época que as autoridades americanas se deram conta do avanço das drogas entre os adolescentes, jovens e até crianças.
Como está acontecendo aqui, segundo o mestre norte-americano, houve pânico e conflito. Não se sabia o que fazer. Então, a primeira idéia, naturalmente, foi a da repressão, violenta e intensa. O resultado não poderia ser outro. Houve reação por parte dos jovens, que se organizaram em ‘‘gangues’’, sofisticaram o tráfico e responderam com mais rebeldia.
Surgiu, então, uma proposta alternativa: a formação de lideranças entre os próprios estudantes, para combater de modo concreto e direto a invasão e o perigo das drogas. A idéia, como explicou o professor Lucas, era envolver os jovens na luta, responsabilizá-los e torná-los co-participantes do projeto. Os resultados, assinalou, têm sido muito produtivos.
Neste momento em que estamos alarmados com a ameaça que a droga representa para a vida dos nossos filhos, a participação dos jovens pode renovar o modo de enfrentar o problema. O secretário da Educação do Estado, professor Ramiro Warahaftig, que já vem desenvolvendo um revolucionário trabalho na busca da qualidade da educação paranaense, apreciou a idéia e já manifestou a intenção de abraçá-la. A equipe da Secretaria da Educação deve iniciar um grande projeto de seminários na Universidade do Professor, promovendo encontros com estudantes e debates sobre questões complexas como as drogas, a violência, a sexualidade e a qualidade do ensino.
Estou convencida de que precisamos urgentemente ouvir os estudantes, se quisermos saber qual a linguagem mais adequada para disseminar informações contra as drogas. Por que não envolvê-los na busca de soluções? Diretores, professores e pais devem incentivar e comprometer-se com esse entendimento participativo. Vamos ampliar ao máximo uma frente contra o vício.
É vital perceber que a repressão, isto é, a violência contra a violência, não resolve. Também não podemos nos esquecer do quanto é difícil a recuperação dos viciados - um processo doloroso e com baixos índices de vitória. O ideal é prevenir, evitar o vício, levar os jovens a uma consciência plena sobre o mal representado pelas drogas. Eles precisam se defender, mas primeiro devem desejar, com todas as forças, fazer isto.
Vivemos um novo tempo, uma era desafiadora, que reclama propostas novas e corajosas. A idéia de que pais, mães, professores sabem de tudo e que aos jovens cabe, apenas, obedecer sem questionar, está superada. Vamos atrair os jovens para, com eles, traçar novas e mais eficientes estratégias para defendê-los e prepará-los, a fim de que assumam seu papel na luta da Humanidade a que pertencem.
- EMÍLIA BELINATI é vice-governadora do Paraná

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