Acertada e corajosa a atitude do prefeito Marcelo Belinati de declarar de utilidade pública uma área de 1,1 mil hectares anexa ao Aeroporto Governador José Richa com o objetivo de viabilizar no local um complexo aeroportuário, industrial e de serviços. Seis anos depois de colocar em stand by o projeto do Arco Norte, a cidade volta a sonhar com um empreendimento que pode levá-la a um patamar de desenvolvimento só comparado com o Ciclo do Café.

A proposta mudou de nome, de local e de formato, mas segue ambiciosa. São esperados investimentos que ultrapassam R$ 1 bilhão, vindos da iniciativa privada, dentro do processo de concessão do aeroporto local, que está sendo implementado pelo governo federal.

No início da década, a sociedade se mobilizou e conseguiu atrair uma comissão da Agência dos Estados Unidos para o Comércio e Desenvolvimento (USTDA), que veio conhecer o Arco Norte - projeto de um aeroporto internacional de cargas na zona sul. À época, a Prefeitura chegou a declarar uma grande de utilidade pública uma área muito maior. Eram 5,7 mil hectares destinados à desapropriação para dar lugar à obra. Mas a proximidade com a Mata dos Godoy, parque estadual que preserva o pouco que restou da Mata Atlântica, inviabilizou o empreendimento. O decreto do então prefeito Barbosa Neto teve de ser cassado em 2013 por determinação do Ministério Público.

Remodelada, a proposta lançada nesta segunda-feira (12) pelo prefeito busca tornar o aeroporto de Londrina um hub de conexões, tendo à frente uma companhia aérea, nos moldes da Azul em Viracopos (Campinas). Precisarão ser desapropriadas 61 propriedades, das quais menos de dez em área urbana e o restante, na rural. A pista de pouso e decolagem passará dos atuais 1,7 mil para 3,5 mil metros.

Não é de hoje que a cidade vem enfrentando problemas de ordem econômica, com uma série de indicadores que ficam aquém dos de outros municípios importantes do Estado. A falta de indústria, a distância do Porto de Paranaguá e o pedágio caro são apontados como causa dessa situação.

Só para se ter uma ideia, no primeiro semestre deste ano, Londrina gerou 985 empregos. Municípios menores criaram mais. É o caso de Pato Branco (1.916), Cascavel (2.763), e Maringá (5.053).

O complexo aeroportuário pode ser a mola propulsora que a cidade precisa para retomar a vanguarda do desenvolvimento no Paraná. É preciso que a sociedade abrace a proposta e trabalhe unida para viabilizá-la.

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