Uma afrontosa proposta de aumento
É no mínimo afrontoso o projeto do deputado Antonio Anibelli, do PMDB, que propõe aumentar em 100% os salários dos secretários de Estado, num salto de R$ 6 mil para R$ 12 mil. A proposta já rondava a Assembléia Legislativa desde o ano passado e só aguardava a aprovação do plano de cargos e salários dos professores, o que ocorreu recentemente, e assim o caminho ficou livre para o oportunismo de propor a melhoria de ganho também para o secretariado. Como não é apenas a disponibilização do vencimento mensal que contempla esses auxiliares governamentais, mas uma série de outros benefícios inerentes ao cargo, o custo de manutenção do corpo de secretários eleva substancialmente a conta, que é paga com dinheiro público, naturalmente.
Embora fontes oficiais neguem a vinculação, poderá ocorrer, com essa pretendida elevação salarial, um desdobramento de aumentos paralelos em outras funções da carreira pública e assim a farra se alongue. São 26 os secretários, uma quantidade já discutível, porque questiona-se se são necessários tantos, quando tanto se fala em sanear a caríssima máquina administrativa. Se tal não bastasse, a falta de decoro se manifesta mais uma vez, com a proposta de onerar ainda mais o erário, por via de polpudos vencimentos aos secretários. A proposição não se estriba em critério e não se ocupa de algum cálculo matemático, apenas dobra o ganho, que assim a contabilidade fica fácil. Nem se sabe se tal aumento pode ser arbitrado a partir da Assembléia Legislativa.
Num momento em que a nação assiste ao governo federal elevar o salário mínimo de R$ 240 para R$ 260 um índice de pouco mais de 8%®MDNM¯ e considerado o máximo possível, face à atual conjuntura no Paraná propõe-se beneficiar auxiliares da administração pública com o dobro do ganho. Um desrespeito aos cidadãos, que já não obtêm grande paga pelo próprio trabalho e são obrigados a custear as mordomias públicas e suportar mais esse verdadeiro insulto, que é a proposta de tão elevado aumento aos secretários. Sabe-se do interesse do círculo parlamentar em contemplá-los, porque o tráfego e o tráfico entre esses pólos de poder caminham em mão dupla. Afinal, é pela via das secretarias que saem as verbas, e, na contrapartida, é de interesse desses altos escalões do Executivo a política de boa vizinhança com os deputados. Tudo em família.





