Males que vieram se cristalizando ao longo dos anos, sobretudo a permissividade para o tráfico de drogas que campeia praticamente livre e sem repressão sistemática não podem ser extirpados de um momento para outro, porque suas raízes são fundas e resistentes. Mas, no caso de Londrina onde a cada três dias ocorre um assassinato, a maior parte em função do negócio ''formiguinha'' do narcotráfico não dá mais para esperar procedimento como a instalação de uma central de operações para que entre em ação a recém-fundada força-tarefa de combate ao tráfico, anunciada em reunião pública na cidade pela Secretaria de Segurança e em presença de todas as autoridades locais do setor.
A cada semana que a operação se atrasa, são mais duas ou três mortes por assassinato, e a característica da maioria desses crimes é sempre a mesma: o envolvimento de assassinos e vítimas no comércio de drogas. O certo é que a polícia tem um mapa de pontos de operação dos traficantes e conhece muitos deles, então é preciso agir, porque o ritmo da ação desses fora-da-lei não cessou e os resultados estão estampados na crônica semanal dos assassinatos, cujos personagens são principalmente jovens, tanto os exterminadores quanto as vítimas. Se os crimes continuam, certamente caminha no mesmo ritmo o tráfico da droga um produto que não chega a Londrina pela mão desses meninos que estão matando e morrendo, mas por via de traficantes mais maduros e que, de sua vez, sucedem a organizações mais poderosas, e assim sucessivamente. Já se percebeu que o anúncio da implantação da força-tarefa não intimidou ninguém, porque a ação de repressão ainda não se faz ostensiva, e esta tem de ser uma operação de guerra, porque a facção contrária continua atacando e matando.
Se não é possível erradicar tão facilmente o mal em suas origens mais remotas porque o narcotráfico é a pestilência desta era da humanidade e requer estratégias de combate que extrapolam fronteiras de países e continentes é possível reprimí-lo em suas extremidades, porque se os traficantes têm indiscutível poder, as forças de repressão também o possuem. Não basta agora apenas identificar os autores dos quase 80 assassinatos ocorridos em Londrina só neste ano. É preciso prender os cabeças do tráfico, que são os que tocam o negócio e acionam esses jovens para a entrega da droga aos consumidores e, por extensão, para os crimes de extermínio que são levados a praticar. Depois do anúncio da implantação da força-tarefa passaram-se muitos dias e já é tempo de se exigir resultados.

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