Seis por cento dos detentos de Londrina que receberam o benefício da prisão domiciliar retornaram para o crime. Os dados são da Vara de Execuções Penais (VEP) e referem-se a um período de 18 meses de análise, entre janeiro de 2010 e julho de 2012. Dos 396 detentos que tiveram progressão de regime, somente 24 cometeram novos crimes. É menor do que o índice nacional. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostrou que sete de cada dez detentos voltam a cometer crimes no Brasil. A Faculdade de Direito da Universidade de Brasília (UnB) também pesquisou o tema há dois anos. O estudo mostrou que os réus que receberam suspensão condicional apresentaram um índice de reincidência de 24,2%, enquanto os condenados a regime semiaberto, 49,6%, e de regime fechado, 53,1%.
Levando em consideração os altos números nacionais, é preciso refletir se o preconceito contra ex-presidiários ajuda a manter elevado esse índice de reincidência. Quando nega uma nova oportunidade, o preconceito acaba levando o homem ou mulher que já cumpriu a sua pena a uma nova condenação. Ex-detentos relatam que a realidade fora dos muros da prisão também é muito dura por conta de quatro grandes problemas: o preconceito da sociedade, a falta de emprego, o abandono da família e os poucos programas de apoio mantidos pelo poder público. O desemprego é apontado como um fator que leva o ex-detento ao crime.
Romper o preconceito e o medo e ter coragem para dar um voto de confiança é o desafio para as empresas que resistem à contratação de pessoas que cumpriram pena. Não há manuais prontos de como identificar o preso recuperável, diferenciando-o daquele que jamais abandonará a vida criminosa. Há muita gente no sistema prisional que nem deseja levar uma vida honesta. O assunto é complicado, mas uma análise do comportamento e das atividades educativas e produtivas dos presos durante o período de cárcere pode indicar se ele tem interesse em mudar de caminho.

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