A maioria das cidades brasileiras amanheceu suja neste domingo. E não foram as chuvas ou vendavais os responsáveis pela sujeira. Mais uma vez, os comitês eleitorais de um bom número de candidatos inclusive de alguns que discursam nas tribunas em defesa da coerência patrocinaram esse crime que vai contra não somente à legislação que regula as eleições no País, mas principalmente o cidadão. Porque forrar as ruas de propaganda eleitoral na madrugada de uma data tão importante quanto este 6 de outubro é vã e vulgar tentativa de tentar convencer alguém a dar seu voto ao candidato que ilustra o material de propaganda. O eleitor consciente jamais vai apanhar papel no chão no momento em que se dirige à urna para definir o seu voto. Assim, o que esses comitês fizeram durante a madrugada foi apenas sujeira.
Em Londrina, calçadas e ruas próximas das principais seções eleitorais foram sujadas. Os ''santinhos'' foram jogados aos montes e imagina-se que os responsáveis por esses atos agiram premeditadamente, deixando sobrar material de seus candidatos para promover o que se pode chamar de baderna durante a madrugada. Caso a hipótese seja outra, como a de que foi feito uma desova para não desperdiçar material que já estava pronto, então os candidatos que ilustram esses ''santinhos'' terão que contratar outros profissionais nas próximas eleições. Estes, que sujaram as cidades para desovar material de propaganda, estão provando que são péssimos planejadores e medíocres profissionais.
Quanto ao que já foi feito na madrugada deste 6 de outubro, o julgamento deve ficar por conta dos eleitores. A partir de suas eleições, o cidadão deve cobrar deles um discurso mais próximo possível da prática, pois não adianta dizer com as mãos em punho que é contra a sujeira, se na busca do voto a pratica. E os que não forem eleitos que aprendam: ontem o eleitor fechou os olhos e passou, consciente, sobre os papéis esparramados pelas calçadas, por considerar que o político brasileiro tem ainda muito que aprender em termos de cidadania. Mas amanhã a avaliação será outra. E então ninguém mais votará em candidato que caça votos sujando cidades. Valerá o balanço da atuação de novos e veteranos, cujo ponto básico será a coerência política.

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