O pedido de refinanciamento da dívida feita pelo governo da Argentina ao FMI (Fundo Monetário Internacional) nesta quarta-feira é motivo de preocupação para a economia brasileira. A crise cambial que assola o país vizinho - terceiro maior comprador de produtos nacionais - desde meados do ano passado tem refletido na balança comercial do Brasil. A participação argentina encolheu 40% nas exportações nacionais no acumulado de janeiro a julho, em comparação com o mesmo período do ano passado.

Segundo o ministro da Fazenda da Argentina, Hernán Lacunza, o pedido de revisão dos vencimentos da dívida de US$ 56 bilhões tem como objetivo aliviar a atual turbulência no mercado cambial argentino. Soma-se a isto a reação do mercado ao clima político no país. O resultado das eleições primárias foi uma vitória por 47% do candidato kirchnerista Alberto Fernández, contra 32% do atual presidente Mauricio Macri. O índice Merval, o principal da Bolsa de Valores do país, caiu 38% no dia seguinte, chegando a perder US$ 23,7 bilhões.

As negociações com o FMI devem começar na gestão de Macri, mas só devem ser concluídas no próximo governo, que começa em 10 de dezembro. O primeiro turno das eleições argentinas está marcado para 27 de outubro. Um novo presidente será confirmado caso um dos candidatos obtenha 45% dos votos, ou 40%, desde que com uma diferença de 10 pontos em relação ao segundo colocado. Se nenhum dos dois requisitos for atingido, é realizado um segundo turno, em novembro.

O pedido de refinanciamento ocorre em um momento histórico para o Mercosul. Em junho, o bloco econômico firmou um acordo importante de livre comércio com a União Europeia. Economistas ouvidos pela FOLHA consideram que o ocorrido pode se tornar o “estopim” de uma crise mundial. O professor da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) e economista Marcos Rambalducci considera que a situação argentina pode atingir todos os países emergentes, uma vez que os investidores tendem a levar seus ativos para países considerados mais seguros.

Para se pensar em um Mercosul forte, com condições de se firmar competitivo no mercado mundial é preciso que a região tenha, primeiramente, estabilidade econômica. Não é o que o cenário aponta para os próximos anos.

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