Muitos podem não se dar conta, mas a semana que entra é determinante nas decisões de manutenção ou mudança de estratégias quanto ao combate à epidemia do Sars-cov-2, o novo coronavírus que a causa a Covid-19.

Ao completar um mês do isolamento social em muitas cidades brasileiras, incluindo Londrina, várias localidades se preparam para flexibilizarem as restrições, permitindo que o comércio e outros setores da economia comecem a voltar gradualmente.

É um período determinante porque vai mostrar aos especialistas e gestores públicos se é possível que setores não essenciais abram as portas sem causar uma explosão de contágios e novos casos, provocando aquilo que todos os países temem: o colapso do sistema de saúde.

Como já foi dito anteriormente neste espaço, é fundamental que o cidadão entenda que flexibilização das medidas de restrições não significa que o município está voltando à normalidade.

O último final de semana em Londrina serve de exemplo. Apesar de a prefeitura ter determinado o fechamento de parques e áreas de lazer da cidade, uma rápida passada pelas proximidades do Lago Igapó e do Zerão mostrou atitudes irresponsáveis e falta de respeito ao coletivo.

As faixas de isolamento estavam rasgadas e no chão, enquanto famílias e amigos utilizavam os espaços de lazer normalmente, como se a epidemia ainda estivesse concentrada na China e a cidade não tivesse registrado sete mortes por Covid-19.

Ajuda em nada a atitude dos londrinenses que burlam o decreto municipal para passear no Igapó. Assim como não contribui para o Brasil, a briga entre os Poderes, que acontece diariamente, como uma novela, diante de emissoras de rádio, tv e jornais. E cujo último capítulo, domingo (19), teve a participação do presidente Jair Bolsonaro em um ato em Brasília pró-intervenção militar. No sábado (18), ele já havia disparado críticas contra o STF (Supremo Tribunal Federal) e os governadores que haviam decretado medidas de isolamento social em seus estados.

É preciso olhar os exemplos dos países que estão conseguindo vencer a epidemia. Há união de propósito e respostas rápidas aos problemas. O Brasil precisa de soluções que vão além da polêmica de quanto flexibilizar as medidas de restrição social. É o caso do número insuficiente de testes para diagnosticar o vírus, assim como equipar melhor os hospitais e equipes de saúde.

Aliás, união de propósitos foi o que pregou o novo ministro da Saúde, Nelson Teich, após assumir o cargo na última sexta-feira (17). Ele afirmou justamente que o sucesso do trabalho contra a epidemia depende muito do trabalho em conjunto entre ministérios e os Poderes.

Que ele consiga agregar e não separar.

A FOLHA agradece a preferência e deseja uma semana de saúde para os seus leitores!

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