Um tesouro literário
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 07 de novembro de 2001
Agaciel da Silva Maia 
Já vai longe a data de 18 de maio de 1826 quando o Barão de Cayru propôs a criação de uma biblioteca para o Senado e alguns poucos volumes compunham seu acervo. Denominada, inicialmente, como a ''Livraria do Senado'', era administrada por um ''primeiro-oficial'' e um contínuo. E assim ficou, por um longo período, até que 40 anos depois, o então presidente do Senado, Visconde de Abaeté, determinou a compra de 39 livros, além de outros 57 doados pelo próprio. Passou a ter 155 volumes. Só em 1896, graças à visão histórica do senador Manuel Vitorino Pereira, o acervo cresceu em mais 6 mil volumes.
Atualmente são 150 mil volumes de livros, 4 mil obras de referência (dicionários, enciclopédias etc), 3.600 títulos de periódicos (400 mil fascículos de jornais e revistas), 2 milhões de recortes dos principais jornais do País, selecionados por assuntos e temas, 463 títulos de periódicos estrangeiros em CD-ROM, milhares de fac-símiles de jornais antigos (desde 1824), relatórios ministeriais e presidenciais da época do Brasil Império e da Primeira República, microfilmados, cerca de 4 mil volumes de obras raras entre livros e periódicos, 600 mil registros bibliográficos convertidos para o novo formato de base de dados multimídia, toda a Memória do Senado, os Grandes Momentos do Parlamento Brasileiro e a Bibliografia Brasileira de Direito, estes em CD-ROM.
É a única biblioteca brasileira (apenas outras duas, no exterior) a possuir a raríssima coleção completa da Flora Brasiliensis, com 19 volumes, encomendada por D. Pedro II, um incalculável tesouro. Como raridades, um manuscrito de Machado de Assis, e uma de suas primeiras obras também fazem parte desse acervo. Os quase 10 mil volumes pertencentes ao senador Luis Viana Filho foi outra das notáveis aquisições que hoje integram o patrimônio do Senado.
Em 1999, depois de ampla reforma, inauguraram-se as novas instalações, com 3.250 metros quadrados, passando a ter sala privativa para senadores utilizadas diariamente pelos parlamentares idem para consultores, advogados, assessores e diretores da Casa, para quem a Biblioteca é especialmente destinada.
Passou a ter um auditório de 60 lugares; sala para consulta ao acervo digital e Internet; 80% a mais de assentos na sala de leitura; acréscimo considerável em estantes deslizantes/automáticas para jornais, coleções especiais e obras raras; estantes fixas para livros e periódicos; sistema antifurto magnetizado; dentre outras sensíveis melhorias e adaptações.
Como um dos resultados dessa reforma, a utilização da biblioteca pelos servidores da Casa e parlamentares cresceu cerca de 114%, nos últimos três anos, e o índice de furtos de obras foi reduzido a praticamente zero. Usuários externos tiveram acesso restrito ao período matutino, privilegiando o público interno, que passou a dispor de melhores condições de atendimento e conforto. Ainda em 1999 foi adquirido o novo sistema de gerência automatizada de informação. Em 2000, implantou-se a Rede Virtual de Bibliotecas-Congresso Nacional (Rede RVBI), com uma nova plataforma de gerenciamento da informação de bases de dados multimídia.
Uma das bibliotecas brasileiras a disponibilizar via Internet aos usuários seu catálogo geral de livros, revistas, recortes de jornais e obras raras, preocupa-se, agora, a Biblioteca do Senado, em preservar seu acervo. Ultimam-se providências para uma minuciosa restauração das obras que, a despeito de todo cuidado e climatização, começam a sofrer a inclemente ação do tempo e ataques de fungos e bactérias.
Finalmente, ainda neste ano, implantou-se no site da Biblioteca a versão 1, da Biblioteca Digital do Senado, baseada em projetos já implantados nas bibliotecas mais importantes do mundo. Estão disponibilizados, em base digital, textos completos de várias obras de domínio público editadas ou não pelo Senado, entre literatura, Direito e Ciência Política, além de trechos digitalizados de capas, folhas de rosto e litogravuras da coleção de obras raras. O endereço da página do Senado via Internet é: www.senado.gov.br.
Orgulhamo-nos, portanto, de nossa biblioteca, tão cuidadosamente administrada por seus zelosos e competentes servidores, relembrando uma frase proferida pelo senador Ronaldo Cunha Lima: ''A Biblioteca do Senado é uma história para muitos livros''.
- AGACIEL DA SILVA MAIA é diretor-geral do Senado


