Um sucesso econômico que não existe
A empolgação do presidente Lula ao afirmar que a área econômica ''está blindada pelo sucesso'' cai no vazio pela constatação, um dia antes, de que a economia brasileira cresceu apenas 2,9% em 2006, bem abaixo da média mundial de 5,1%. Apenas palavras não blindam nada, mas resta a esperança do Programa de Crescimento Econômico, o já notório PAC, cujos pontos ainda passarão pelo crivo do Congresso e já esbarram em posições divergentes, especialmente de grande número de governadores, e em algumas alegações de inconstitucionalidade.
Em longa entrevista à imprensa (motivada pelo impacto negativo do baixo crescimento revelado), Lula proferiu alguns disparates, como o de que, mesmo com crescimento de 7% do Governo JK, ''o povo ficou mais pobre'', ''porque esse governo não distribuía renda''. Certamente fixado em seu programa Bolsa-Família, que ele, equivocadamente, considera uma grande transferência de renda - embora importante e necessário em face das circunstâncias de pobreza - esquece-se de que a melhor forma de distribuir riqueza, sem paternalismo, é promovendo o desenvolvimento e deixando que a nação caminhe pelas próprias pernas. Governos populistas costumam não ter visão tão ampla a respeito. Boas intenções e honestidade de propósito não faltam ao presidente Lula, mas é certo que ele ''viaja'' ao chegar a algumas de suas conclusões, como essa da economia blindada pelo sucesso.
O supremo mandatário - já no segundo mês do novo mandato - não conseguiu sequer formar sua equipe ministerial - porque o anúncio de que haveria mudanças foi feito por ele mesmo. A arte de governar é, sabidamente, também a habilidade de articular sábias composições com os partidos, e tal não é fácil num sistema de ganância como o vigorante no regime político brasileiro. Passos em falso podem romper pactos e afastar apoios, e isto seria desastroso. É assim em todas as democracias, com a diferença de que no Brasil o fisiologismo é sempre posto acima dos interesses nacionais.
Uma questão levantada pelos jornalistas, durante a entrevista, foi a velha discussão sobre a reforma tributária. Lula, ao responder, saiu-se com evasivas, como a de que ela está empacada porque cada entidade de classe tem a sua própria proposta. Isto até certo ponto é verdadeiro, mas o Governo não tem nenhuma. E deveria ter - afora alguns pontos contidos no PAC - num país que figura no ranking dos maiores cobradores de impostos do mundo. Uma proposição no sentido de diminuir essa carga não encontraria, com toda a certeza, nenhuma oposição nem dos congressistas, nem das classes produtoras e nem dos cidadãos em geral. Justamente o que a nação aprova Lula não propõe e não faz.





