As chuvas que atingiram o Norte Pioneiro não escolheram bairros nem ruas. As fotos que a FOLHA DE LONDRINA publicou mostram inundações no centro das cidades. E se nas grandes capitais costuma-se responsabilizar o povo pela obstrução dos bueiros, não se pode dizer o mesmo da população do Interior, mais zelosa e colaboradora. Até os entulhos e lixos acumulados nas pequenas cidades não têm o mesmo efeito destruidor.
Nem por isso, porém, os prejuízos por aqui - em Tomazina, Jaguariaíva, Arapoti, Sengés e São José da Boa Vista -, são menores. E as residências e estabelecimentos comerciais não são menos vulneráveis.
E no campo? Na zona rural as perdas não podem ser contabilizadas apenas pelo prejuízo direto aos que investiram na safra, seja ela de grãos ou hortifrutigranjeiros. O mercado fica comprometido. Interrupções no abastecimento causam transtornos e impactam nos preços.
É bem verdade que o fenômeno é raríssimo, talvez o pior que se tem notícia. Mas não se pode perder de vista que adversidades são eventos da natureza, inerentes à causa e efeito da interferência do homem através de séculos. Portanto, só variam de intensidade. Mas podem ocorrer em qualquer época sem mandar avisos.
Por essas e outras razões, é imprudente lidar com adversidades climáticas no peito e na raça, como se faz no Brasil. É hora de pensar em seguro, criar modalidades para zonas rural e urbana de forma a facilitar a adesão de segurados de menor poder aquisitivo. Outra coisa: é impossível imaginar seguro rural sem cooperação, seja através de pool de empresas, de cooperativas ou envolvendo as comunidades.
O que se perde no Paraná por falta ou excesso de chuvas soma bilhões todos os anos. De alguma forma o setor público também está perdendo muito. Perdas não são exclusividade do particular. As seguradoras têm que enxergar os danos das cheias como nichos de mercado e envolver o setor público. As cooperativas criam bancos, oferecem crédito todos os dias, mas ninguém tem um plano de seguro.

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