Um rumo para a Lava Jato
Um parecer do procurador-geral da República (PGR), Rodrigo Janot, enviado anteontem ao Supremo Tribunal Federal (STF) pode representar mais uma reviravolta na Operação Lava Jato, que apura um esquema de lavagem de dinheiro de cerca de R$ 10 bilhões. Quem acompanha as notícias referentes às investigações, sabe que elas resultaram na prisão do doleiro Alberto Youssef, do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e de outra dezena de acusados no esquema bilionário de desvio de dinheiro público. E o leitor sabe também que uma decisão do ministro do STF Teori Zavascki, em meados de maio, quase colocou nas ruas todos os suspeitos.
No dia 18 de maio, ele mandou soltar Costa e suspender as ações penais por considerar que o juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, Sergio Moro, havia extrapolado em suas funções ao prosseguir com as investigações mesmo após surgirem indícios de envolvimento de deputados federais no caso - o ex-petista André Vargas, Luis Argolo do Solidariedade e Cândido Vacarezza do PT. Parlamentares só podem ser investigados pelo STF porque têm foro privilegiado. Costa acabou saindo da prisão (mas teve o passaporte apreendido) e os demais continuam detidos em Curitiba.
O parecer da PGR não deixa de ser uma pressão para que Zavascki devolva os processos e as investigações da Lava Jato para a Justiça paranaense. Na avaliação de Janot, as oito ações penais propostas pela 13ª Vara Federal de Curitiba são válidas. O Procurador da República se manifesta pela improcedência da Reclamação 17.623/PR, apresentada pela defesa do ex-diretor da Petrobras, pedindo a nulidade de todos os atos.
Quando mandou suspender o processo sobre a Lava Jato e pediu o envio dos processos para o STF, Zavascki se disse espantado com a repercussão que a decisão causou. Ele afirmou que não houve contradição ou imprudência. Mas ele deveria estar preparado para a repercussão que qualquer decisão referente à Lava Jato provoca na sociedade. Afinal, trata-se de um crime de evasão de divisas na ordem de R$ 10 bilhões, envolvendo um doleiro já muito conhecido da Polícia Federal e da Justiça, além de empresários e um ex-diretor da maior estatal brasileira.





