Oba! Amanhã tem estréia do espetáculo ‘‘Nunca’’ do Ballet de Londrina no Cine-Teatro Ouro Verde. Imperdível! Já tirei meu paletó do armário e o coloquei a arejar para eliminar o tradicional cheiro de naftalina, aquele aroma característico existente nas roupas que ficam muito tempo guardadas. Torço para que ele ainda me caiba. Afinal, não é todos os dias que se tem a oportunidade de assistir a um espetáculo do nível que essa companhia apresenta, já sendo reconhecida internacionalmente após menos de dez anos de sua criação.
Sinto-me bem às vésperas de um espetáculo. O ritual de preparação como o que relatei em relação ao terno é análogo aos ensaios que os artistas são obrigados a se submeter para que tudo saia perfeito. O espectador de um evento cultural, principalmente de dança, talvez não consiga enxergar o grau de envolvimento necessário aos protagonistas para que a coreografia aconteça exatamente como esperado. São inúmeras horas dedicadas a exaustivos exercícios, músculos doloridos, joelhos e juntas constantemente inflamados pelo esforço necessário à realização de cada salto, sem contar os pés que acabam deformados pelo esforço de manter todo o peso do corpo do bailarino em suas pontas.
O balé como conhecemos hoje teve origem na Itália, há cerca de 500 anos. O primeiro espetáculo foi realizado por ocasião das bodas do Duque de Milão, em 1489. Nesses shows, os bailarinos eram homens, pois as mulheres não tinham permissão de dançar em público. Os trajes eram complicados e pesados, limitando a extensão e a variedade dos passos, coisa que já não acontece atualmente, tanto que o espetáculo de amanhã explorará um tema adulto e sensual com coreografia de Leonardo Ramos, que já deixou seu nome escrito em praticamente todas as criações da companhia londrinense pela leveza que consegue imprimir aos mais complexos passos por ele imaginados.
É impressionante como Londrina é culturalmente rica. Grandes espetáculos, como o de amanhã são criados aqui mesmo e, infelizmente, somente uma pequena parcela da população procura ingressos para os assistir preferindo ficar depois reclamando e falsamente propalando que a cidade não produz nada. Essas mesmas pessoas muitas vezes fogem ao Rio de Janeiro e São Paulo para depois retornarem dizendo maravilhas sobre algo que poderiam muitas vezes ter visto por aqui mesmo e se bobearem ainda verão a mesma obra, pois mês que vem já estão previstas quatro récitas de ‘‘Nunca’’ em um grande e famoso teatro carioca e cujos ingressos já estão sendo devidamente disputados.
O Ballet de Londrina, no segundo ano de sua criação participou como convidado do Festival Internacional de Havana, em Cuba, país que, não obstante os problemas que já são por todos conhecidos, prestigia a arte como uma de suas prioridades. Naquele mesmo ano, a companhia teve a indicação para o Prêmio Mambembe, como flagrante reconhecimento do alto nível de seus espetáculos de dança. De lá para cá foi uma infindável coleção de sucessos que estará ao nosso alcance a partir de amanhã aqui mesmo, pertinho de casa.
Quem não puder participar da estréia ainda terá novas oportunidades durante todo esse mês no Circo Funcart, de sexta-feira a domingo, sempre às 21 horas e não sairá decepcionado com o circuito de artes de nossa cidade; deixando a visita ao Rio de Janeiro para acontecer no próximo verão, obviamente depois de prestigiar o nosso desfile de escolas de samba com a participação de vosso Rei Momo. A todos os artistas do Ballet de Londrina desejo muita M.... e se não posso estar na torcendo na coxia, com certeza meu coração estará pulsando junto a todos os demais súditos na platéia.
- RICARDO PROCHET é o Rei Momo de Londrina
[email protected]

mockup