Um projeto de recuperação das águas
Pode-se imaginar uma região rica em nascentes e rios, pela retenção na fonte dos resíduos domésticos e industriais. O resgate de um cenário assim é o que objetiva o projeto Acquametrópole, idealizado por João das Águas, como é conhecido João Batista de Souza, há décadas defendendo esse precioso bem da natureza e hoje assessor de recursos hídricos da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, em Londrina. Esse programa de defesa ambiental será lançado no próximo dia 29, em solenidade pública, e a primeira ação será na microbacia do Córrego Água Fresca, na área urbana da cidade.
Movimentos como este reanimam a esperança de que nem tudo está perdido, diante de tanta devastação, porque ainda restam pessoas conscientes que se dedicam à tarefa de restaurar coisas aparentemente irrecuperáveis ou na iminência de perder-se, e engajam aqueles propensos a auxiliar nessa jornada. Muitos acomodam-se, porque desmotivados, mas um programa como este os entusiasma, resultando com certeza em fantástico resultado. Até porque comandado por um idealista, destes que não esmorecem diante das dificuldades e dos que conspiram contra, que são os que os que desprezam esse tipo de preocupação humana, os que poluem - consciente ou inconscientemente - e os indiferentes.
O projeto prevê a conservação das nascentes, o combate à poluição pelas indústrias e residências, a contenção dos detritos que entram pelos bueiros, e na contrapartida incentivar o aumento das áreas verdes, dar destino mais inteligente ao lixo, eventualmente pela industrialização, e outras medidas que evitem a contaminação das águas. O enfoque central é o lago Igapó, poluído pela ação de agentes químicos, pelo lixo lançado nas suas margens e nas águas por pessoas e pescadores inescrupulosos, pelo escapamento de jet-skies e lanchas e pelo esgoto clandestino.
O assessor técnico da Região Metropolitana de Londrina, Luís Figueira de Melo, declara que ''a água é um termômetro da cultura ambiental''. A proteção deve começar pelas nascentes, algumas fora do município, passando pelo lago Igapó e desaguando no rio Tibagi. São riquíssimos mananciais com que a natureza privilegiou esta região. E, ao tempo em que se deve cuidar da água desse lago artificial - gerado pelo represamento do córrego então existente, pela visão do então prefeito Antonio Fernandes Sobrinho - será preciso cuidar de suas margens e de toda a área de entorno, de forma a proporcionar conforto e segurança às pessoas.





