Um problema nem tão distante
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sexta-feira, 08 de setembro de 2017
João Gabriel Messias Lemos e Luiz Felipe Gomes Previdello 
Dentre os problemas ambientais e sociais atuais, a preocupação com a disponibilidade hídrica tem sido recorrente. O planeta Terra possui em sua maior
parte água, totalizando 75% de sua superfície, porém, apenas 3% desta quantia é de água doce. Em Londrina, a captação destes 3% da água doce disponível é feita no Rio Tibagi, que já demonstra uma falta de vitalidade no abastecimento, forçando muitas vezes a captação de água subterrânea. Conforme aponta a Sanepar, o consumo de água per capita da cidade de Londrina é de 170 litros por habitante ao dia.
Os recursos ambientais exigem políticas de prevenção e conservação para não acontecer o mesmo que em São Paulo, que já apresentou sinais de uma má
administração pública dos recursos hídricos, provocando uma pane nos sistemas de abastecimento. A captação e distribuição ineficiente da água dos
rios e poços subterrâneos exigem novas alternativas para que o recurso natural esteja disponível e acessível a toda população de forma sustentável.
Uma iniciativa interessante seria o incentivo público para a preservação deste bem por meio da construção de cisternas, sistema que capta água da chuva e
armazena para utilização posterior. Londrina não apresenta nenhuma lei ou programa que estimule a captação e conservação de água. Assim, políticas
públicas para estimular a conservação e uso racional deste bem, tendo em vista a importância e a escassez de água, poderiam se dar por meio, por exemplo, de incentivos fiscais, abonos no IPTU, diminuição das tarifas de água. Além de promover o uso sustentável da água, essas políticas também contribuiriam para a qualidade de vida e eficiência, tanto econômica quanto ambiental.
Reservatórios e sistemas de captação de água da chuva vêm sendo utilizados há mais de três mil anos, sendo esta água utilizada para cultivo, criação animal e consumo humano. Contudo, tal prática foi se perdendo pela ascensão do sistema de água canalizada comumente nos centros urbanos, o qual já se mostra incapaz de atender as demandas de água.
Algumas avaliações mostram que o valor do investimento inicial de uma cisterna residencial simples de capacidade para 5 mil litros gira em torno de R$ 9 mil, com um tempo de 3 anos para recuperar o investimento inicial. Este procedimento possui uma eficiência de 75% na captação de água proveniente
da chuva, onde o sistema pode suprir as necessidades de uma família de cinco pessoas por oito meses de estiagem. Este método foi utilizado na região oeste de Santa Catarina em propriedades rurais, onde mostrou uma economia líquida de R$ 2.900,00 ao ano, eliminando gastos com transporte, armazenagem e filtragem de águas provenientes de outras regiões que possuíam qualidade inferir a água precipitada no local. E 92% das propriedades resolveram seus problemas de falta de água com a utilização de cisternas.
Assim, o sistema de cisternas é uma alternativa de baixo custo que poderia ser implementado pelas políticas públicas do município, incentivando sua instalação em escolas, hospitais, casas, empresas e ambientes públicos. Políticas de conservação dos recursos hídricos como essa contribuirão para aumentar a qualidade de vida das pessoas, do meio ambiente e a sustentabilidade da cidade.
JOÃO GABRIEL MESSIAS LEMOS e LUIZ FELIPE GOMES PREVIDELLO são estudantes de Administração da Universidade Estadual de Londrina


