Um primeiro passo
A reunião mais significativa da 7ª Cúpula das Américas durou apenas uma hora e aconteceu à margem do encontro dos líderes dos 35 países do continente. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e de Cuba, Raúl Castro, conversaram durante uma hora, na noite do último sábado, confirmando que as duas nações estão dispostas a se reaproximarem após mais de 50 anos.
O encontro entre Washington e Havana começou a ser definido em 17 de dezembro de 2014 quando Obama e Castro anunciaram o restabelecimento das relações entre os dois países. Naquele dia, os dois garantiram a libertação de presos políticos e os EUA também anunciaram algumas medidas importantes, como o restabelecimento das relações diplomáticas, autorização de vendas e exportações de bens e serviços dos EUA para Cuba; autorização para norte-americanos importarem bens de até US$ 400 de Cuba; ajudar Cuba a melhorar telecomunicação e internet e - facilitar viagens de americanos à ilha caribenha. Obama também anunciou o restabelecimento de uma embaixada em Havana
Essa estreia de Cuba na Cúpula das Américas não poderia ser mais importante. Desde 1994, quando foi criado o encontro, é a primeira participação de Havana . O presidente cubano começou o seu discurso na reunião fazendo um desabafo sincero: "Já era hora que eu falasse aqui". Castro condenou as intervenções dos Estados Unidos na América Latina, mas poupou o colega americano dizendo que Obama não tem nada a ver com as ações passadas de seu país.
É óbvio que Obama queria se livrar dessa herança da Guerra Fria. Ele mesmo lembrou que Cuba não representa perigo à Casa Branca. Desde que foi anunciada, a retomada das relações dividiu opiniões principalmente nos EUA. Muitos cubanos que fugiram para a América do Norte após a revolução se manifestaram contra dizendo que a liberdade de expressão e os direitos humanos não avançaram no país de Castro. Ainda não é possível saber se a 7ª Cúpula das Américas representará realmente uma virada nas relações entre o Cuba e EUA. É um primeiro passo, mas o que os cubanos realmente esperam não depende só de Obama. O fim do embargo econômico a Cuba é a medida que fará a grande diferença para o povo caribenho e ela depende de aprovação no congresso americano.





