Um povo sem memória é um povo sem futuro
Há um ponto fundamental a ser esclarecido: qual a importância do patriotismo na nossa formação e da nossa sociedade? Numa frase proferida pelo general francês Charles de Gaulle, por ocasião da Segunda Guerra Mundial, trazemos à luz o que vem a ser patriotismo em contraponto ao nacionalismo: "O patriotismo significa amar o seu país. O nacionalismo é odiar o dos outros". Não por acaso, o cientista Albert Einstein disse que o nacionalismo é uma doença infantil. É o sarampo da humanidade.
No mês em comemoramos a grande luta da Independência do Brasil, em que recordamos, e mesmo veneramos, os grande atores do Sete de Setembro de 1822, estamos sendo patriotas. Daí, a Semana da Pátria.
Quando lembramos da histórica bandeira da Independência, com seus belos significados, estamos sendo patriotas. É a história viva! Sentimento da gratidão em si, o conhecimento do passado para compreender o presente e projetar o futuro. Há, em si, uma dose de virtude, de prudência.
O inglês Percivall Pott, um dos fundadores da ortopedia no século XVIII, e sendo o primeiro cientista a descobrir que substâncias cancerígenas podem ser encontradas no meio ambiente, agiu de forma previdente. Em sua tumba lê-se a seguinte inscrição: "Enquanto ele aprendeu com seus antecessores, ele também descobriu seus erros e os corrigiu, apontou suas falhas e as preencheu. Original em pensamento, rápido no julgamento e decisivo na ação, ele colocou o conhecimento para o seu adequado uso".
Quando se diz que as crianças são o futuro do país, a nossa esperança e desejo de dias mais prósperos e justos, temos que compreender que para haver mudanças é necessário conhecermos o que foi feito no passado sob pena de entrarmos na eterna roda-viva da repetição de erros, pelo simples fato de sabermos que eles já existiram.
A Semana da Pátria, sendo um exemplo do sucesso dos estadistas da época, é o momento justo e perfeito para refletirmos sobre nossa história e inspirar nossas crianças e cidadãos a conhecerem sua própria história de forma imparcial. É hora de aprendermos com nossos antecessores. Conhecermos a história do nosso país, enaltecendo os grandes homens e mulheres que honraram nossa história é o sentimento vibrante do Sete de Setembro que contagia os brasileiros. Formaremos, então, cidadãos cada vez mais orgulhosos do seu país, da sua história.
Aliás, resta claro o motivo por que vemos com bons olhos a criação de escolas militares: ali se ensina, com ênfase, os valores patrióticos. Então, há um pensamento coletivo, mesmo que inconsciente, de que o caráter e a solidez da cidadania está ligado à veneração dos valores históricos brasileiros.
Em verdade, a semana da Independência está ligada ao respeito que damos às nossas escolas, aos nossos professores. Todo êxito na formação cultural, cívica e histórica, produzindo cidadãos úteis e dedicados que ocuparão das mais simples às mais complexas funções no cenário nacional dependerá, invariavelmente, da seriedade e respeito da sociedade para com o magistério, por meio de remuneração condigna a esta que é a maior e mais honrosa profissão de qualquer país. Esta é a verdade.
Mas o nosso escritor Machado de Assis, refletindo sobre o descaso com a busca incessante pela verdade que deveria guiar os cidadãos, publicou em 4 de setembro de 1892, no jornal "Gazeta de Notícias": "Eu, porém, vos digo que não jureis nunca a verdade, porque a verdade nua e crua, além de indecente, é dura de roer; mas jurai sempre e a propósito de tudo, porque os homens foram feitos para crer antes nos que juram falso, do que nos que não juram nada. Se disserdes que o sol acabou, todos acenderão velas".
Sejamos honestos para com a história do Brasil e lembremo-nos da nossa bandeira da Independência, e não nos esqueçamos que o próprio imperador D. Pedro I, disposto a dar sua vida pelos brasileiros gritou, em 7 de setembro de 1822, "Independência ou Morte!".
EDUARDO LEBBOS TOZZINI é advogado em Londrina
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