Infelizmente, é comum do brasileiro criticar no momento da raiva, sem realmente analisar todo o conjunto da situação. Principalmente quanto à cultura, todos são críticos natos e com suas pouco baseadas opiniões acabam, em várias vezes, escarrando o trabalho árduo de outros. Refiro-me, neste instante, às censuras que ouvi ao final e depois de terminado o sagaz filme ‘‘O Senhor dos Anéis’’. Uma produção estonteante, onde o diretor neozelandês Peter Jackson, demais sócios e companhia conseguiram, primeiramente, construir um roteiro de filme sobre um livro de difícil materialização, o mundo fantástico e complexo criado J.R.R. Tolkien, que ultrapassou as duas grandes guerras (escrito entre os anos de 1936 e 1949).
Um filme de um livro sempre tem seus aspectos negativos, dificilmente o primeiro supera o último, e neste caso, não foi exceção à regra. Contudo, faz-se necessário enaltecer que tal objetivo nunca foi intentado pelo diretor, pois era de seu pleno conhecimento que as criações de J.R.R. Tolkien eram demasiadas esplendorosas, surpreendentes e vastas para o feito. Tendo tal pressuposto, então, dentro de seus limites, procurou desenvolver ao máximo o roteiro estudado e planejado por quatro longos anos para construir um grandioso filme, envolvente, audacioso e digno de um ‘‘Senhor dos Anéis’’. Diga-se de passagem, o diretor durante as filmagens perdeu o pai e mãe, esse fato, contudo, não o deteve.
Este livro é conhecido no mundo inteiro, aqui no Brasil foi mais difundido nesta época, em virtude do próprio lançamento do filme, mas quantas revistas, jornais e reportagens na TV não comentaram a obra, não explicaram um pouco do filme?! Alguns criticam os produtores e os responsáveis pelo marketing do filme, pois não explicaram que o que está em cartaz é apenas a primeira parte de um todo amplo, repleto de estórias, personagens, sentimentos e paisagens, um todo de outras Eras, outro Mundo, outras vidas; certamente, não poderia ser diferente se o diretor quisesse fazer jus à obra que escolhera para trabalhar, aliás, seria um ultraje. E com certeza não passaria pelo Conselho da Tolkien Society (que preserva as Obras de J.R.R. Tolkien e tudo que se refere à ela - traduções, roteiros, etc.) se decidisse transformar mais de 1.200 páginas em apenas quase três horas de filme!
O tão afamado pelo público e não tão bem recebido pela crítica, ‘‘Harry Potter’’, não necessitou de explicações para dizer que ‘‘A Pedra Filosofal’’ era o primeiro livro, precisou? Ainda, ‘‘O senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel’’ é auto-explicativo, pois a Sociedade do Anel é justamente a primeira parte do mesmo, seguido de outras duas, ‘‘As Duas Torres’’ e ‘‘O Retorno do Rei’’. Isabela Boscov, grande crítica de cinema, em reportagem à revista Veja, em referência à Tolkien, esclarece: ‘‘De ‘Guerra nas Estrelas’ aos livros de Harry Potter, é seguro afirmar que a maior parte da fantasia sobre as lutas entre o Bem e o Mal que se produziu nas últimas décadas é filhote do escritor inglês’’.
O que acontece é que as pessoas estão por demais distantes do movimento cultural de nosso país, tanto no teatro, na pintura, na música quanto até mesmo nos filmes, pois, ainda, a cultura, por parte da população (que ainda é muito grande), não é recebida como merece. Estes apenas querem ver, assistir ou ouvir o que se apresenta, não entender, descobrir os porquês, os motivos, a função. Tem-se que atiçar mais a curiosidade, fazer deste país, que já é maravilhoso, um país mais cultural e culto, com decisões inteligentes, e, principalmente, com bons fundamentos. Vamos pensar fora da caixa pessoal!
MARCOS MARTCHUK PICKINA é universitário em Londrina

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