Vamos saber um pouco mais sobre budismo nesta sexta-feira, com a palestra que fará em Londrina a monja Coen, expressiva representante dessa doutrina no Brasil.
Nestes tempos de guerra, quando os protagonistas centrais do conflito apregoam a busca da democracia e da paz por meio da destruição e do morticínio, o príncipe Shakyamuni, o Buda ele que havia conhecido a riqueza e o poder sabia que não poderia solucionar o problema dos sofrimentos humanos pela via das armas e sim pelo caminho da sabedoria, que levaria à ''alegria eterna e imutável'' como narra Daisaku Ikeda, intérprete contemporâneo do budismo.
Sidharta Gautama (seu nome de nascimento), ou Shakyamuni (shakya, da tribo dos shakyas, e muni de sábio), ou Buddha (tradução do sânscrito para ''o desperto''), viveu 500 a 600 anos antes de Jesus, na Índia, e buscou incansavelmente ''os princípios eternos da verdade, que transcendem tempo e lugar''. Ele viria a rejeitar o culto aos desejos e o ascetismo que praticava (a mortificação da carne pelo sofrimento), ensinando que há um caminho do meio, que se desvia desses extremos e leva à iluminação.
Diferente das religiões dominantes, no budismo o demônio é conceituado não como um ser sobrenatural, mas que ''está no coração e nas mentes de todos os indivíduos''. Seriam os egos, essa força interior de dúvida, de medo, de hesitação que frequentemente nos assola e tenta nos puxar para baixo.
Meditando sob a figueira depois de haver abandonado o luxo do palácio Shakyamuni reviu ''claramente todas as suas existências anteriores, uma após outra, e percebeu que a atual fazia parte de uma cadeia ininterrupta de nascimentos, mortes e renascimentos de corpos carnais, pelos quais seu espírito havia passado. Ele pregou que não é suficiente obter compreensão da Lei (o Dharma), mas colocá-la em prática e também passar adiante os conhecimentos adquiridos. Nenhuma outra religião põe mais destaque na dignidade do indivíduo e em sua natureza subjetiva do que o budismo demonstra Ikeda.
Ensinamentos de Jesus são encontráveis seis séculos atrás no budismo, e há registro evidente de que o mestre nazareno estudou essa doutrina e esteve também no Tibet, no período de sua vida não citado na Bíblia: dos 13 aos 30 anos.
O poeta e filósofo Rabindranat Tagore diz que a civilização grega foi construída com tijolos, ao passo que a indiana nasceu na floresta, onde os indianos buscavam a iluminação e a revelação da verdade. Foi ali, em atitude de meditação e contemplação, sob a figueira pipal, que Buda teve a clarividência, que o acompanharia pelo resto dos seus dias.
Shakyamuni, Sócrates, Confúcio e Deutero-Isaías vieram ao mundo quase na mesma época, marcando ''o alvorecer da civilização espiritual da humanidade'', como o descreve o filósofo alemão Karl Jaspers. Esse ministério teria continuidade com Jesus, seiscentos anos depois, e com avatares da era atual, desconhecidos ainda pelos que não estão despertos.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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