Um pouco de Páscoa em todos os dias
Já está nos hábitos do povo que Natal é festa de presentes e de ceia em família e que a Páscoa é um dia de saborear ovos de chocolate. Também já virou costume dizer-se que as pessoas já não se ligam no sentido da reverência que se deve ter para com esses dias tão especiais.
Parece difícil reverter esses hábitos, que não são maus em si, já que reunir-se ao redor de uma mesa para cear, abandonando por algumas horas os problemas rotineiros, é um ato louvável e que reverencia a fraternidade; assim como abster-se de certas práticas, no dia da Páscoa, e presentear familiares e amigos com ovos de chocolate, é também um gesto de carinho.
Há casos em que isso se dá por uma forma de obrigação, mas resta o sabor da ceia e do chocolate. A intolerância sistemática a essas práticas é também uma forma de desamor. Se as pessoas apreciam jantares e doces sabores, assim como dar e ganhar presentes, deve-se deixá-las que façam o que desejam, cada qual segundo seu entendimento.
Mas, se são boas essas coisas, podemos torná-las melhores se conseguirmos, ao menos por instantes, transformar todos os dias em Dia de Natal e Dia da Páscoa. Isto é possível e nos fará bem, tanto quanto o prazer de um jantar em família e o sabor de um ovo de chocolate. Podemos baixar a tensão dos nossos dias com um pouco mais de paciência, de tolerância, de resignação, e assim aplacar um pouco o sabor amargo dos momentos em que temos sido duros e ásperos e às vezes violentos.
Sentimentos como aqueles que temos ao dar ou ganhar um presente, um abraço ou uma boa palavra, podem ser vividos todos os dias, senão todo o tempo ao menos por alguns minutos. Isto será muito em meio às desesperanças que cercam as pessoas, especialmente nós brasileiros. Os dias melhores que desejamos haverão de ser construídos por nós mesmos, na forma dos pequenos e bons momentos que criarmos.





