A aprovação, pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), da venda no Brasil do medicamento Kisunla, para tratamento de Alzheimer em sintomas iniciais, é um marco significativo na luta contra a doença. A importância desse fato se dá principalmente quando consideramos que a expectativa de vida cresce no país e, com ela, a incidência de doenças neurodegenerativas.

O Kisunla, desenvolvido pela farmacêutica Eli Lilly, já usada nos Estados Unidos, é a primeira medicação aprovada que promete retardar a progressão do Alzheimer. “Ele é um anticorpo monoclonal que se liga à proteína beta-amiloide que está acumulada no cérebro dos pacientes com Alzheimer, fazendo com que seja eliminada”, explicou à reportagem da FOLHA Lindsey Nakakogue, médica geriatra em Londrina e diretora científica da Febraz (Federação Brasileira das Associações de Alzheimer).

Leia mais:

Instituto Não Me Esqueças celebra remédio pioneiro de Alzheimer

A aplicação do remédio é feita diretamente na veia, em doses mensais por até 18 meses. Segundo a médica, a próxima etapa é a precificação do remédio por parte da CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos), que deve levar até 90 dias.

Nos Estados Unidos, o tratamento não é barato. O custo anual é de quase 32 mil dólares, mais de R$ 150 mil. Lembrando ainda que os exames necessários para traçar o quadro clínico do paciente com precisão também não são muito acessíveis.

Para fazer parte dos medicamentos aprovados pelo SUS (Sistema Único de Saúde), é preciso um processo de liberação pelo Ministério da Saúde e pela Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde).

Apesar do preço ser um obstáculo, do medicamento não representar a cura e de tampouco ele estar isento de riscos, é importante reconhecer o avanço para pacientes e seus familiares. O principal deles é a possibilidade da pessoa em fase inicial de Alzheimer ter mais tempo de autonomia, de memória preservada e mais dignidade no enfrentamento da doença.

O novo medicamento é um marco promissor e sempre que a ciência abre um caminho como este, surge uma esperança de que novos medicamentos também sejam desenvolvidos e que possam chegar a mais pessoas, vencendo as limitações orçamentárias do sistema público de saúde e com o preço mais acessível à realidade brasileira.

Obrigado por ler a FOLHA!

mockup