Um paranaense no Ministério da Agricultura não significa um ministro para o Paraná, mas essa indicação é relevante para o Estado porque isto facilita muitas coisas. Depois de o paranaense anterior indicado, Odílio Balbinotti, haver sido colocado no paredão e defenestrado, também não faltaram reações contrárias a Reinhold Stephanes, mas na contrapartida também houve apoios. Primeiro foi a bancada ruralista na Câmara dos Deputados - que como representante classista até então não havia interferido no processo de escolha - depois foram denúncias como a do usufruto da aposentadoria precoce pelo deputado, mais a acusação de que é simpatizante do movimento dos sem-terra. E, afinal, a lembrança de que ele é um dos réus numa ação de improbidade administrativa quando ocupou a presidência do Banco do Estado do Paraná.
  Em se tratando de homens públicos, são poucos neste país os que escapam de acusações, e isto já parece ser um componente curricular. O jornalista Cláudio Humberto escreve que Stephanes é sisudo e que ‘‘não dá papo a políticos’’. Mas importa mais que o novo titular da Agricultura e da Pecuária ‘‘dê papo’’ aos produtores rurais e que se recomponha (e eles são políticos) com os colegas parlamentares que foram contra, porque administrar um ministério sem ventos contrários é melhor. Conforme dirigentes de entidades rurais, com a presença de Reinhold Stephanes, o Paraná ‘‘pode ter algumas de suas reivindicações atendidas com mais facilidade’’. O presidente da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná, João Paulo Koslovski, afirma que Stephanes ‘‘sempre foi extremamente profissional e competente’’, acrescentando que ter um paranaense que conhece o Estado vai facilitar na concretização de projetos para o Paraná.
  O economista Gustavo Fanaya, do Sindicato da Indústria de Carnes do Paraná, diz que o setor comemora e espera que agora o ministério ajude a solucionar ‘‘os embargos de vários países à carne brasileira, provocados pela febre aftosa’’. Se as lideranças rurais não se empenharam muito no processo de escolha - e deveriam ter feito isto - precisam agora empenhar-se para obter aquilo que possa ser alcançado deste ministério. Não basta aplaudir, ou criticar, mas participar. Se Stephanes é ‘‘um profissional’’, será necessário extrair dele os benefícios deste atributo, porque é justamente de profissionais que os produtores rurais precisam. Se ele é um ministro nacional e não regional, o Paraná tem que tirar o maior proveito da circunstância de ter nessa Pasta um homem da terra. E na terra, nos dois sentidos, porque Reinhold Stephanes também se proclama um agricultor e diz que sua origem é a agricultura.

mockup