Um pacto para o Brasil sem dívidas
Fora de um grande pacto será difícil solucionar o problema das dívidas descomunais da União e dos juros que paga. Esse pacto precisa envolver os poderes governamentais, os bancos, as instituições que congregam a classe empresarial e a dos trabalhadores, assim como os grandes aplicadores nacionais e estrangeiros. A proposta de um Brasil sem dívidas, montada pelo economista Almir Rockembach e debatida dias atrás neste Jornal, é viável mas também não poderá dispensar um acordo multilateral. O caminho comum é diminuir o alto custo do serviço da dívida, que está enredando a nação para o risco de um perigoso impasse ou seja, toda a renda nacional sendo destinada a esse ônus, sem perspectiva de sobra suficiente para o investimento produtivo. Mas como abrir esse caminho? Um dos meios está consubstanciado no projeto do economista e estrategista paranaense, mas de qualquer modo será preciso trilhar pela via dos entendimentos. As coisas foram longe demais no Brasil, pela ampliação progressiva dos compromissos internos da União, superiores a R$ 1 trilhão. Óbvio que, à medida que essas contas forem sendo pagas, cairá o volume dos juros e, provavelmente, também da carga tributária. Então haverá mais reservas para obras e investimentos geradores de riqueza. Os aplicadores estrangeiros sempre prontos para alçar vôos rumo a outras paragens se as coisas aqui não lhe forem seguras precisam ser mantidos e direcionados para investirem em fontes produtoras, com ganhos menores. O Brasil terá de impor-se pela credibilidade e não pela atração por via de juros altos e muito superiores aos de outros mercados. Este é um preço que ainda está sendo pago. A situação econômica brasileira é muito mais sinistra do que a existência de todos os escândalos de corrupção reunidos. E justamente por causa das dívidas a interna e a externa. Será preciso baixar o juro público, mas essa medida não pode ser tomada abruptamente, face aos seus múltiplos complicadores. Daí a necessidade de um pacto político de salvação nacional, envolvendo todos os componentes do processo, sem afastar o capital de fora. Mas é fundamental angariar dólares que sejam nossos e não só os dólares voláteis. Será preciso mostrar, pelo caminho de projetos sérios e o de Rockembach é um deles que é um bom negócio investir no Brasil, mas com ganhos menores dos que os atuais, sem afujentar o dinheiro externo e o dos aplicadores nacionais e com juro no nível da inflação. De forma a diminuir a conta pública, abrandar a carga do Tesouro com os juros e rendimentos que paga, e desse modo haja sobra de dinheiro para obras e para financiar a produção. Há que não desperdiçar mais tempo com novas CPIs, mas que se crie com urgência um comitê nacional aglutinando todas as suas frentes de poder e revestido acima de tudo de ardor patriótico para estudar soluções pactuadas que tirem o Brasil desta delicada situação.





