O pacote da segurança, anunciado pelo Governo Federal, vai trazer benefício para os policiais – porque propõe melhoria dos soldos e eliminação dos desníveis de ganhos – mas não se foca no ponto crucial, que é a situação da pobreza nacional, um dos fortes indutores da criminalidade. Melhorar os padrões salariais do setor de segurança é necessário, porque seus agentes exercem profissão de alto risco e por isso precisam ser bem pagos, e porque com renda condizente o policial fica menos propenso a também delinqüir, em parceria com os bandidos.
  Este é um passo avançado, mas a delinqüência não irá diminuir só porque o policial estará recebendo um salário melhor e com melhor moradia – outro dos itens do programa. Será preciso pensar também na população sem teto e que habita as favelas e os assentamentos, porque em tal ambiente, ademais com o desemprego e a fome rondando, uma bem paga corporação policial não fará o milagre de cessar as investidas desses miseráveis contra o patrimônio alheio. Se o Governo deseja contemplar os policiais, está no caminho certo e deve, sem dúvida, tomar essa medida já tardia, mas se apenas com isto almeja diminuir a violência, obterá muito pouco ou talvez nada.
  No dizer do ministro da Justiça, Tarso Genro, o projeto visa também a permanente inserção da polícia nas comunidades. Se isto também tiver o condão de afastar o marginal, será excelente, mas se as misérias sociais continuarem no padrão atual não haverá garantia de paz só pela existência de mais policiais e de policiais bem pagos. O Governo, embora acene com os benefícios do Pacote do Crescimento Econômico, o PAC – que ainda não está em vigor e não se sabe quando entrará – não tem projetos de intensificação do programa habitacional, para tirar dos cortiços milhões de miseráveis; não acena com programas revolucionários de incentivo ao emprego – algo que incentive a empresa a abrir mais vagas de trabalho e proporcionar ganho a chefes de família desempregados, e assim contribuir para o afastamento do fantasma da violência.
  E se os governos não diminuirem os gastos exacerbados, terão de arranjar recursos para os aumentos anunciados. A criação de um fundo para isso, como está previsto, significará que o dinheiro virá de algum lugar. E já se sabe qual é. Porque no novo pacote de intenções não consta que algum gasto governamental vá ser cortado para aumentar os 390 mil policiais-militares, os 116 mil policiais-civis, os 62 mil bombeiros e os l2 mil e 500 integrantes da polícia-técnica. Teme-se que tudo recaia, ao final das contas, sobre aqueles que podem dar empregos e diminuir a criminalidade: as classes produtoras de bens e serviços.

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