Um pacote para todos nós - José Eduardo Andrade Vieira
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 05 de dezembro de 1997
José Eduardo Andrade Vieira 
Nós estamos vivendo mais uma crise econômica desta vez de proporção mundial.
O que está acontecendo é apenas resultado de uma política econômica voltada para um crescimento artificial: ou seja, privilegia-se a especulação financeira em vez do crescimento econômico baseado na produção, na criação de empregos.
Essa novela é repetida. Desde os anos 80, os governos vêm trabalhando com a alta de juros para atrair o capital especulativo. Isso é bom por algum tempo, mas o capital especulativo, que são as aplicações nas bolsas, vêm e vão. Quando desconfiam do governo, os investidores retiram sua aplicação.
Aí o governo diz que estão conspirando contra a moeda, quando o que está havendo é apenas uma fuga de capitais à procura de um local mais seguro.
Esse remédio dos juros altos é como se o governo amputasse o braço porque não tratou os dedos. Quem perde com isso é o povo brasileiro, que poderia ter uma qualidade de vida melhor. Muito melhor.
O remédio deveria ser o oposto. A melhor forma de combater os especuladores é baixar os juros. O juro baixo só é ruim quando a venda a crédito provoca aumento de preços e leva à inflação. Mas isso não ocorre se a economia for estável.
Nós só vamos ter estabilidade quando o governo conseguir corrigir a balança comercial e diminuir o déficit público - ou seja, melhorar suas contas.
Nos últimos quatro anos, a arrecadação de tributos aumentou de 22% para 32% do PIB (Produto Interno Bruto). Esse aumento já seria suficiente para o governo corrigir o déficit público.
O seja, não gastar mais que podemos.
Desde 94, o Brasil já tem condições de exportar 5 bilhões de dólares por mês. No entanto, no mês passado as exportações só alcançaram 3,9 bilhões de dólares.
O que o governo deveria fazer é adotar uma política cambial correta e reduzir os impostos para os produtos brasileiros se tornarem competitivos no exterior. A importação deveria se limitada à capacidade do país.
Vocês devem estar se perguntando por que o PTB vota com o governo se tem tantas críticas à política econômica. É que para o PTB é melhor o país ter uma política econômica do que nada. Como o PTB não tem ainda condições de mudar o rumo da economia, ajudamos o governo, mesmo sabendo que muitas coisas deveriam ser corrigidas.
Aliás, o atual governo não pode reclamar de falta de apoio. Tudo que mandou para o Congresso e se empenhou para que fosse aprovado, nós aprovamos.


