Um oportunismo do Governo
A ação de apreensão das sete malas cheias de dinheiro em poder de membros da Igreja Universal do Reino de Deus, entre eles o deputado federal do PFL João Batista Ramos da Silva também bispo dessa organização religiosa é uma estratégia do Governo para desviar as atenções dos veículos de comunicação e do povo para os escândalos de corrupção que envolvem o PT e figuras do círculo governamental petista. A detenção do deputado e o seqüestro do dinheiro (um montante calculado em R$ 10 milhões) foi uma medida de oportunismo, com todos os indícios de haver sido previamente planejada. Porque as malas estavam embarcando num jato da Igreja, partindo de Brasília com destino a Goiânia e dali para São Paulo mais especificamente Santo Amaro, que é a sede nacional da Igreja Universal e o dinheiro se originava de coleta junto aos fiéis dentro dos templos da Amazônia e de Brasília durante as celebrações do 28º aniversário da Igreja. A movimentação de grandes somas, pela Igreja Universal, é algo rotineiro, porque suas ramificações se estendem para todo o Brasil, e o valor apreendido tinha a destinação de bancos da capital paulista. O fato de levar o dinheiro diretamente para grandes centros, segundo a Igreja, é porque os bancos regionais não se dispõem a contar tanto dinheiro, geralmente em notas (em torno de 70% delas) de pequeno valor. No presente caso, por se tratar certamente de um valor maior que o comum, o bispo e seus acompanhantes portavam autorização da Igreja para o transporte do dinheiro, inclusive com descrição de origem e finalidade dos valores. Transportar moeda nacional não significa ato criminoso, e tal delito só se caracteriza quando os valores têm origem escusa. A exposição do dinheiro, acondicionado como estava em recheadas malas, realmente impressionou pelo volume (tanto o monetário quanto o da quantidade de notas), porém não se tratavam de valores de propriedade do PFL. Não há como vincular o dinheiro ao partido, e o caso também não tem similaridade com o dos 100 mil dólares apreendidos dias atrás na cueca do assessor petista a serviço de um irmão de José Genoino, até então presidente nacional do PT. O senador Antonio Carlos Magalhães, influente cacique do PFL, declarou não aprovar a forma de cobrança de dízimos pela Igreja Universal, porque tira dos pobres, mas ironizou que é hora de o partido do Governo enfiar a cabeça debaixo das cuecas. Não faltaram, dentro do partido, ácidas críticas ao colega, por ser o guardião de tanto dinheiro e prestar-se para acompanhar a carga sendo deputado federal e, especialmente, num momento delicado como o de agora, povoado de malas de dinheiro... Mas é certo que o Governo e o seu partido buscaram tirar proveito ao acionar a Polícia Federal para a detenção do parlamentar e seus companheiros e a apreensão do dinheiro, com isso visando derivar o foco das atenções para este caso. A nação percebe a estratégia.





