Um olho no jogo, outro na jogada
Começa uma semana de decisões. A mais importante para os brasileiros acontecerá hoje, com a classificação ou não do Brasil na Copa. A outra é sobre a campanha presidencial, com a decisão do partido Democratas (DEM), na quarta-feira. O partido irá romper com o PSDB, que deve manter Alvaro Dias na vice de Serra.
Embora não passe de uma jogada política, é um evento importante, esse da convenção; não pelo modestíssimo DEM, inexpressivo como oposição, ressalve-se, mas porque mexe com a campanha eleitoral requerendo nova formatação de um dos dois principais concorrentes, o PSDB. Mas também aqui cabe ressalva: ''concorrente'' em tese porque, pelo menos até agora, a candidata Dilma vem disputando sozinha, sem oposição, fato que nega até mesmo o princípio da desenhada polarização, afinal, na prática o que se vê é candidatura quase única, liderada por Dilma. Com robusto volume de propaganda, uso à vontade da máquina e muita mídia espontânea. Mídia que pende para o lado do governo, seu grande cliente publicitário.
O argumento do DEM (leia-se ex-prefeito do Rio, Cesar Maia) é de dar inveja aos melhores estadistas. Diz ele: ''Nenhum presidente da República eleito depois de 1945 tinha chapa de um só partido. Será agora?'', perguntou o ex-prefeito carioca no Twitter (a ferramenta de mensagens de até 140 toques da internet). Não é um argumento de fato inusitado?
Quanto ao jogo de hoje, se a Seleção ganhar o Brasil inteiro comemora feliz e vai ser muito bom para todos. Para o técnico Dunga, nem tanto. Seu calvário continua, mesmo se eliminar o Chile. Mesmo ganhando, a imprensa do Rio e São Paulo continuará achando algum defeito no técnico brasileiro. Dunga, por ser do Sul, nunca vai convencer. Cronistas cariocas e paulistas (outros vão no vácuo) acham que técnico bom tem que sair dos grandes times dos dois Estados. Eles são torcedores com microfone (ou notebook na mão). Às vezes disfarçam. Outros técnicos, que não os oriundos de times do eixo Rio-São Paulo nunca vão convencer. Felipão é um vencedor, mas no primeiro tropeço (ao dirigir o Palmeiras em nova temporada) será execrado. Dunga também. Não são aduladores de repórteres, seus defeitos.





