Após participar da manifestação do dia do nada na última segunda-feira e conviver por horas na praça, onde a reflexão buscava o não ''fazer'' (o ócio), me deparei com situações adversas. Buscando um olhar fotográfico para as ocorrências ali presentes e vendo a cidade onde nasci, parado em uma praça, acho que nenhum dos prefeitos que a administraram o fizeram. Ah, se o tivessem feito!

Vendo a cidade no seu coração, e ouvindo um artesão indignado após vinte anos de trabalho e construção (que na sua essência é mais um Lula da vida), me deparo com a insensibilidade administrativa, construída nos gabinetes e por uma visão egocentrista ''do que eu acho'', sem um embasamento histórico, sem um planejamento urbano baseado em pesquisas do que se deve ser feito. Não foi esta estética pequeno-burguesa a formulada na formação do Partido dos Trabalhadores. Temos sim que evoluir!

Qual foi a pesquisa elaborada pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina sobre as pessoas que consomem os produtos ali oferecidos pelos artesãos? Onde está a outra que indica as necessidades daqueles trabalhadores? Onde estão estes dados com gráficos destas pesquisas? O que diz o cidadão londrinense sobre estes profissionais que galgaram aquele espaço por longos vinte anos?

Acho que por esta visão que a CMTU está tendo de ''higienização'', e pelo que observei na praça, eu só posso fazer uma pergunta ao prefeito: Onde iremos colocar as bancas de revistas? Em um revistródomo? E os engraxates? Em um shopping de engraxates? E os cafés, bares, garapeiras, restaurantes e outros quiosques, que por esta prática da CMTU estão atrapalhando o meu ir e vir pelos logradouros públicos, sem falar nas lixeiras, bancos e árvores que também atrapalham, e as ''mulheres da vida'' iremos colocá-las em um shopping?

E a praça do aeroporto que foi desfigurada? A CMTU não vai fazer nada para retirar os carros de lá? Em um passado próximo os artesãos e artistas colaboraram doando obras de arte e mão-de-obra para a campanha e início da gestão quando não tinha verba para nada. E o que receberam em troca? Primeiro foram os artistas plásticos que tiveram o Bulevar dos Artistas execrado do Calçadão em uma atitude ditatorial.

Esses artistas contavam com apoio dos lojistas, que ficaram indignados e chegaram até oferecer as paredes dos seus comércios para colocarem as obras, pois nas três horas que o Bulevar funcionava melhoravam as vendas. Mas atrapalhava o ir e vir do presidente da CMTU. A CMTU perguntou, pesquisou? Não! Só deliberou. E agora chegou a vez dos artesãos.

Acho que um administrador sério e competente tem o dever de trabalhar com ''bases'' que lhe outorguem o direito de administrar, e não impor. Ouvir, pesquisar, analisar e propor, rediscutir e consensuar, estas são as bases de um governo sério.

Tendo em vista as posturas tomadas pela administração quanto ao espaço público, não se poderá ter mais manifestações artísticas, políticas, de esclarecimentos ou feiras de um modo geral, pois atrapalham a circulação de um cidadão que quer ir e vir, pelas ruas, praças e avenidas de Londrina.

LEONARDO BENATTO é artista plástico e suplente do Conselho Municipal de Cultura de Londrina

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