Um novo recado das estradas
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terça-feira, 23 de julho de 2019
Folha de Londrina 
No ano passado, 10 dias com filas de caminhões parados em pontos estratégicos das principais rodovias brasileiras detonaram o caos no País. No primeiro momento, o desabastecimento de combustível, que gerou na sequência, em efeito dominó, os outros problemas. Ninguém gosta de lembrar das prateleiras de supermercados e dos botijões de gás vazios e nem das viagens canceladas por conta da falta de combustível. Sem falar em outro resultado que até hoje traz consequências, a redução do PIB (Produto Interno Bruto) em quase R$ 48 bilhões em 2018.
Uma situação conturbada, complexa, que pela segunda vez neste ano surge como ameaça. Quatro dias depois de a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) ter publicado uma nova tabela com pisos mínimos de fretes, o presidente Jair Bolsonaro voltou atrás e suspendeu a medida. O motivo é a preocupante possibilidade de uma nova paralisação dos caminhoneiros e mostra a força da categoria que pode colocar a nação em uma nova situação de caos. A nova tabela tinha trazido alívio para o agronegócio, mas revoltou os caminhoneiros, principalmente os que transportam grãos. Com os novos preços, o piso mínimo do frete poderia cair até 44%.
Antes do governo suspender provisoriamente a medida, na manhã desta segunda-feira (22) os caminhoneiros chegaram a interromper o trânsito em algumas rodovias brasileiras.
A tabela do frete foi criada no ano passado pelo ex-presidente Michel Temer após o fim da greve dos caminhoneiros. Nesta semana, reuniões serão realizadas entre representantes dos trabalhadores e do Ministério da Infraestrutura.
O importante é abrir um canal de negociação. No início deste ano, o governo já havia anunciado outras medidas para conter a insatisfação dos caminhoneiros, entre elas uma linha de crédito por meio do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento) para manutenção de caminhões, obras em rodovias federais e construção de pontos de repouso em estradas.
A questão financeira é mesmo a principal revindicação. E certamente é a carta que pesará mais na mesa para fechar um acordo. O presidente da República tem esperança de que o início da tramitação, no Congresso, do projeto de lei que aumenta o número de pontos para a perda da Carteira Nacional de Habilitação e altera o Código de Trânsito Brasileiro ajude a amenizar os ânimos da categoria. Trata-se de uma promessa de campanha, não tão fácil assim de contemplar, pois encontrará resistência em setores ligados à segurança no trânsito.
A nova tabela de frete é um grande ponto de tensão que exigirá do presidente da República superação na arte da negociação – ponto que não é o seu forte. As quase duas semanas de paralisação dos caminhoneiros em 2018 mostrou quanto o Brasil é complexo e refém de apenas um modal de transporte. Essa realidade precisa começar a ser mudada. Inaceitável que um país de dimensões continentais como o Brasil tenha quase a totalidade da sua produção sendo transportada pelo modal rodoviário.
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