Há um novo e promissor caminho a ser aberto entre o campo e a cidade. A motivação mais recente e também a mais visível para construí-lo é a mudança na política cambial, que oxigena e revitaliza a economia rural.
O algodão, o trigo, os lácteos, o feijão e o arroz do dia-a-dia, que há muito se encolhiam frente ao volume das importações favorecidas pelo câmbio, agora voltarão com força, enquanto itens tradicionais de nossa pauta de exportação, como a soja e o café, passam a remunerar melhor os produtores, tudo ensejando um novo impulso da agropecuária.
Mas não é só isso que deve nos animar em relação a um novo tempo para o campo. Há outras motivações, que merecem ser levadas em consideração. Uma delas é a possibilidade de uma grande interação entre campo e cidade, hoje bem mais factível do que há 20 ou 30 anos, quando o Brasil assistiu a um veloz e desordenado êxodo rural que impactou fortemente as grandes cidades brasileiras, enquanto as pequenas se viram esvaziadas.
Os fatores que levavam o homem do campo ao isolamento e à precariedade foram sendo em grande parte removidos ao longo destes últimos 10 ou 15 anos.
Relativa democratização da tecnologia, notável avanço da eletrificação rural, expansão e barateamento da telefonia e da informática, ao lado da melhoria das estradas rurais e de uma grande queda no preço dos veículos de transporte, abrem a possibilidade de um homem rural cada vez mais conectado com o mundo. Um homem que, mesmo trabalhando no campo, possa vivenciar intensamente a cidade, dela usufruindo plenamente e, assim, contribuindo para a sua vitalidade. Um homem ‘‘rurbano’’.
Como se vê, a possibilidade é muito atraente. Além dos impactos positivos mais evidentes sobre a economia, teríamos um notável renascimento das pequenas cidades, além de um grande caminho social, representado pela multiplicação das oportunidades e sua melhor distribuição pelo território nacional, o que ensejaria menor pressão sobre os grandes centros, com redução de muitas das mazelas urbanas e ganho de qualidade de vida para todos.
Mas é preciso que estes fatores positivos sejam potencializados numa equação mais ampla. Daí que o Paraná está assumindo um grande esforço para avançar ao máximo na cadeia produtiva do campo. Queremos chegar à ponta mais sofisticada da transformação da produção.
Com o mesmo afinco com que atraímos os investimentos industriais nestes últimos quatro anos, agora vamos em busca das agroindústrias e indústrias de alimento de alta tecnologia, daqui e de todo o mundo. Com isso queremos que a nossa produção agropecuária se expanda e alcance os mercados externos com o máximo de valor agregado.
Ao mesmo tempo em que estamos buscando os grandes investidores, estamos consolidando o Banco do Emprego, que irá financiar as Fábricas do Agricultor, com os quais os pequenos agricultores poderão beneficiar a sua produção, assim obtendo um ganho adicional. Neste mesmo contexto estão a expansão das Vilas Rurais, o Programa Paraná 12 meses, a difusão das Escolas do Campo, todas iniciativas para levar qualidade de vida no campo e dar futuro à agricultura familiar.
A hora é agora.
- JAIME LERNER é governador do Paraná

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