Um novo olhar para o espaço urbano
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de setembro de 2019
Espaço Aberto 
A cidade emociona. A partir do momento em que rememora sentimentos e é experimentada por seus habitantes, ela reaviva emoções. Quem não tem em suas lembranças mais íntimas um lugar especial em que viveu um momento inesquecível? Pode ser uma praça em que brincava quando criança, ou uma rua em que se encontrava com os amigos na adolescência.
Diversos acontecimentos durante a vida são marcados por espaços urbanos. As pessoas possuem lembranças que, ao serem associadas aos lugares onde aconteceram, possibilitam assimilar de maneira mais clara as ocorrências. É nesse contexto que os indivíduos se identificam com os lugares e acabam gerando o sentimento de pertencimento. Muitas vezes o usuário só percebe a influência que a cidade tem sobre ele, quando vai morar em outro lugar. Ao distanciar-se fisicamente é possível perceber de maneira ampliada, todas as leituras que foram feitas em seu contato com a cidade de origem.
Ao perceber o ambiente como resultado de observações, as pessoas constroem mentalmente um espaço significativo. Portanto, ao utilizar a cidade para incorporar significados, a percepção tende a ser aflorada, já que os espaços “falam”, comunicam coisas transmitindo associações estimuladas a partir das tradições, memórias, cenários, entre outros traços da urbanidade. É nesse momento que a cidade toma sentido: por retratar a memória de uma cena histórica, ou por, simplesmente, produzir sensações em seus habitantes.
Atualmente, nós nos acostumamos a compartilhar a cidade com os carros. Transitamos de um lugar para outro sem entender, verdadeiramente, o ambiente em que estamos inseridos. O desafio está em conseguir perceber o espaço através de um novo olhar e aproveitar o que ele pode nos oferecer.
Neste dia 21, na avenida Higienópolis, das 9h às 20h, acontecerá o evento “Dia mundial sem carro”. O encontro, promovido em diversos países, é um verdadeiro convite a repensar as formas de locomoção pela cidade. A proposta é simples: pensar sobre nossa dependência em relação aos automóveis e deixar de utilizar os carros, mesmo que seja por algumas horas, para aproveitar o ambiente urbano.
Será que precisamos utilizar o carro para ir a todos os lugares? Será que para ir ao supermercado do bairro ou a uma padaria próxima precisamos mesmo ir de carro? Será que não é possível fazer algumas atividades a pé ou de bicicleta? Fica a reflexão.
Então, a sugestão é que as pessoas aproveitem o evento para perceber a arquitetura da cidade observando os detalhes das fachadas que contam a história de Londrina, por exemplo. É possível também interagir em comunidade compartilhando momentos e criar memórias afetivas. Uma nova percepção do ambiente amplia os significados e faz com que os usuários visualizem a avenida não como um local apenas para o trânsito de automóveis, mas como um espaço de comunicação para ser compartilhado. Nesse dia, a ideia é treinar a nossa visão para observar os detalhes por novo ângulo: com um olhar de quem vive a cidade.
MARA LÚCIA DINIZ DE ASSIS, relações públicas da CMTU, mestre em Comunicação pela UEL e pesquisadora convidada, na mesma universidade, do projeto de pesquisa “Os discursos do varejo na espacialidade urbana”


