Um novo olhar para a inflação
O risco de inflação persiste, diz a notícia. Por que a inflação preocupa tanto as pessoas? Esqueçamos o trauma do passado, até porque boa parte da população economicamente ativa, hoje, não conheceu aquela maquininha de remarcar preços em supermercados, que instrumentava a corrosão da economia dos consumidores. O marcador, ou remarcador, de preços era visto como a ferramenta de tortura dos nossos bolsos.
A inflação no atual cenário macroeconômico não deve ser vista apenas como demolidor do poder de compra, nem como fator de desequilíbrio do poder de barganha dos salários. Ela tem crescido setorialmente, mas o seu verdadeiro impacto sobre o orçamento doméstico é diluído pela motodologia das pesquisas que trabalham com médias. Portanto, a verdade sobre inflação é escamoteada pelos indicadores. A metodologia falseia o que seria a inflação de cada família, segundo o peso específico de componentes da cesta básica, vestuário ou material de higiente e limpeza, apenas para citar como exemplo.
Se todos têm um olhar para a inflação hoje, é por outras implicações, que vão além dos preços remarcados. As pessoas perderam o hábito de adotar uma postura preventiva com relação à inflação que vai ao cardápio. Hoje a preocupação é como abrigar seu dinheiro para blindá-lo da espiral inflacionária; mais do que isso: como fazê-lo render em tempo adverso em que a relação pende para produtos e não para a moeda.
Esta, portanto, é a preocupação dos agentes econômicos. Os riscos inflacionários persistem para segundo semestre e primeiro de 2011, apesar do resultado favorável exibido por vários indicadores de preços nos dois últimos meses. Em junho, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou inflação zero e o IPCA-15 de julho teve deflação de 0,09%. Esses índices não são mentirosos, mas a sua metodologia é discutível. Não devem servir de conforto.
Tanto que economistas alertam para fatores que podem desequilibrar esse cenário favorável, como a alta dos preços do alimentos, os dissídios salariais de grandes categorias e a forte indexação que persiste na economia.





